Nasce 1º europeu com sexo escolhido pelos pais

15 de maio de 2003 • 17h22 • atualizado às 17h22

Uma mulher deu à luz o primeiro bebê da Europa cujo sexo foi escolhido pelos pais, graças a técnicas de fecundação desenvolvidas numa clínica belga. A informação foi divulgada hoje pelo médico responsável, Frank Comhaire.

O jornal flamenco La Gaceta de Amberes publicou hoje que os pais, um casal de um país do sul da Europa, se submeteram às técnicas de inseminação feitas por um médico de Gante, na Bélgica, para poder garantir o sexo do feto.

O médico encarregado revelou que atualmente existem outros três casais europeus que se submeteram às mesmas técnicas e esperam neste momento um filho ou uma filha, de acordo com o que escolheram. Entre os pacientes de Comhaire está um casal espanhol, que fez no início de maio uma consulta com o doutor no centro médico Fertility Clinic, em Gante, para solicitar uma inseminação artificial que possibilitasse o nascimento de uma menina.

"O nascimento do primeiro bebê, há três meses, prova que o método utilizado funciona", afirmou o médico, salientando que seus clientes sabem que ainda não é cem por cento confiável. "A possibilidade de que seja uma menina é de uma entre nove e de que seja menino, uma entre três", explicou.

Casais de toda Europa viajam até a clínica gantesa em busca do sexo desejado de seu próximo filho, uma técnica que na Espanha só pode ser utilizada por razões terapêuticas de caráter preventivo. Os casais espanhóis só podem recorrer a essa opção no caso de doenças hereditárias ligadas ao sexo, como a hemofilia, que só é transmitida a crianças do sexo masculino.

A clínica de Gante oferece este serviço em colaboração com o centro norte-americano Microsort, especializado em técnicas de separação de espermatozóides. Desta forma, o sêmen extraído na Bélgica viaja até a clínica americana, onde são separados os espermatozóides masculinos Y dos femininos X.

Uma vez separado, o esperma "unissexual" viaja de volta para a clínica belga onde é utilizado para fecundar o óvulo da mãe, através de uma inseminação artificial ou pela técnica in vitro. Por esta complexa operação, a clínica belga cobra a cada casal 6 mil euros, dos quais 2.800 vão para o centro norte-americano.

As práticas realizadas pelo doutor Comhaire foram objeto de numerosas críticas pelas conseqüências éticas, sociais e jurídicas que implica a escolha voluntária do sexo dos filhos.

"Este é meu trabalho. As pessoas me pedem e eu, junto com a Microsort, utilizo meus conhecimentos para satisfazê-los", argumenta o especialista diante das críticas.

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