Camundongo tem genoma semelhante ao humano

04 de dezembro de 2002 • 19h24 • atualizado em 06 de dezembro de 2002 às 10h25

O que distingue um homem de um camundongo não é muita coisa. As diferenças e semelhanças, reveladas em um estudo comparativo dos genes das duas espécies, constituem elementos importantes para a pesquisa genética e, em última instância, para o progresso da Medicina. As duas espécies possuem 30 mil genes, dos quais apenas 300 são exclusivos de uma ou outra, revela o mapeamento do genoma do camundongo, hoje praticamente terminado (mais de 95%) e realizado por um consórcio público internacional.

O trabalho será publicado amanhã pela revista britânica Nature. A publicação mostra dados que permitem uma aproximação maior do objetivo de descubrir a função de todos os genes humanos. Nessa ótica, se situa a análise comparativa sistemática do cromossomo 21 - que contém 30 genes relacionados a doenças genéticas, entre elas a síndrome de Down - a qual se dedicam cientistas europeus e norte-americanos.

A equipe européia, dirigida por Alexandre Reymond, da Universidade de Genebra, criou uma espécie de atlas que indica em que partes do corpo (tecidos ou órgãos) e em que fase do seu desenvolvimento entram em ação os genes desse cromossomo. Os cientistas conseguiram detectar a expressão surpreendente de 85% dos genes do cromossomo 21 no cérebro do camundongo adulto, mas de apenas 21% no músculo. A versão completa do genoma do camundongo está à disposição da comunidade científica gratuitamente, através da Internet, ao contrário dos dados resultantes das pesquisas da empresa norte-americana Celera, cujo acesso é pago.

O camundongo e o homem têm um antepassado comum, contemporâneo dos dinossauros, uma criatura do tamanho de uma rata, de acordo com a Nature. A partir de então, cada espécie evoluiu de um jeito. "Compartilhamos 99% dos genes com os camundongo, temos inclusive os genes para ter um rabo, como eles", comentou a médica Jane Rogers, do Wellcome Trust Sanger Institute (WTSI, Cambridge, GB), integrante do consórcio público.

Os ratos são essenciais para a pesquisa biológica em laboratório e para o estudo de doenças e elaboração de tratamentos. O consórcio concentrou esforços no camundongo para usá-lo como elemento de referência. O genoma da espécie é 14% menor que o do homem (2,5 bilhões de letras contra 2,9 bilhões). "Chimpanzé, cão, abelha, vaca e galo serão as próximas espécies pesquisadas", informou o norte-americano Marc Boguski.

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