O trabalho será publicado amanhã pela revista britânica Nature. A publicação mostra dados que permitem uma aproximação maior do objetivo de descubrir a função de todos os genes humanos. Nessa ótica, se situa a análise comparativa sistemática do cromossomo 21 - que contém 30 genes relacionados a doenças genéticas, entre elas a síndrome de Down - a qual se dedicam cientistas europeus e norte-americanos.
A equipe européia, dirigida por Alexandre Reymond, da Universidade de Genebra, criou uma espécie de atlas que indica em que partes do corpo (tecidos ou órgãos) e em que fase do seu desenvolvimento entram em ação os genes desse cromossomo. Os cientistas conseguiram detectar a expressão surpreendente de 85% dos genes do cromossomo 21 no cérebro do camundongo adulto, mas de apenas 21% no músculo. A versão completa do genoma do camundongo está à disposição da comunidade científica gratuitamente, através da Internet, ao contrário dos dados resultantes das pesquisas da empresa norte-americana Celera, cujo acesso é pago.
O camundongo e o homem têm um antepassado comum, contemporâneo dos dinossauros, uma criatura do tamanho de uma rata, de acordo com a Nature. A partir de então, cada espécie evoluiu de um jeito. "Compartilhamos 99% dos genes com os camundongo, temos inclusive os genes para ter um rabo, como eles", comentou a médica Jane Rogers, do Wellcome Trust Sanger Institute (WTSI, Cambridge, GB), integrante do consórcio público.
Os ratos são essenciais para a pesquisa biológica em laboratório e para o estudo de doenças e elaboração de tratamentos. O consórcio concentrou esforços no camundongo para usá-lo como elemento de referência. O genoma da espécie é 14% menor que o do homem (2,5 bilhões de letras contra 2,9 bilhões). "Chimpanzé, cão, abelha, vaca e galo serão as próximas espécies pesquisadas", informou o norte-americano Marc Boguski.
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