Criada cerveja capaz de combater câncer

28 de novembro de 2002 • 20h42 • atualizado em 29 de novembro de 2002 às 12h02

Pesquisadores alemães anunciaram ter produzido uma cerveja capaz de ajudar no combate ao câncer. A bebida contém níveis bastante elevados de um antioxidante poderoso encontrado no lúpulo, o xanthohumol. Estudos anteriores, feitos em laboratório, haviam demonstrado que o xanthohumol detém o crescimento de células tumorais.

Como o composto é encontrado em concentrações muito baixas na cerveja normal, o Instituto Alemão de Pesquisa do Câncer, em Heidelberg, pediu a pesquisadores da Universidade Técnica de Munique que tentassem produzir uma cerveja enriquecida com xanthohumol. Utilizando um método que mantêm em segredo, os cientistas criaram uma cerveja com um conteúdo ao menos dez vezes maior de xanthohumol - mas a mesma quantidade de calorias e de álcool - que a cerveja normal.

Achim Zuercher, um dos pesquisadores envolvidos no trabalho, disse que o conteúdo de xanthohumol das cervejas comerciais varia de 0,01 miligrama por litro (mg/L) a 0,20 mg/L. Na nova cerveja, os cientistas conseguiram concentrações que vão de 1 mg/L a 2,5 mg/L. O produto, que será produzido por uma cervejaria da Bavária ainda não identificada, deve estar disponível no mercado em janeiro ou fevereiro de 2003, informou Zuercher. O pesquisador espera ainda que a venda da bebida não se restrinja à Alemanha. "O vinho tinto passou a ter uma boa imagem no que diz respeito ao câncer após a descoberta do resveratrol. Agora temos o xanthohumol na cerveja", explicou o especialista.

Até o momento, os testes sobre os efeitos do xanthohumol foram realizados apenas em laboratório, mas a substância já mostrou ser um composto natural muito promissor e efetivo no combate ao câncer em vários sistemas de testes. "Por exemplo, ela é muito mais eficaz que o resveratrol", afirmou o pesquisador.

O cientista lembrou ainda que não é possível dizer de forma conclusiva que a cerveja combaterá o câncer em humanos até os testes sejam concluídos daqui a vários anos. "O Instituto de Pesquisa do Câncer começará a testar nossa cerveja em animais, mas vai demorar muitos anos para determinar se o composto funciona realmente como um quimioprotetor em humanos", explicou o especialista.

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