A pesquisa não poderia ser realizada com seres humanos por razões éticas. Mas ao injetar células-tronco em um embrião de rato, o animal que nascesse poderia ter células humanas espalhadas por todo seu corpo, incluído o cérebro. O rato poderia, inclusive, produzir esperma ou óvulos humanos.
Alta Charo, vice-reitora da Faculdade de Direito da Universidade de Wisconsin e especializada em bioética, disse que as questões fundamentais são onde será injetado o material genético humano, quanto será injetado e se começa a se tornar confusa a diferença entre o animal e o ser humano. Charo considera aceitável que sejam utilizadas células-tronco para o desenvolvimento de um órgão determinado e sejam inoculadas relativamente tarde no desenvolvimento do embrião do animal.
Em uma reunião organizada pelo biólogo Ali Brivanlou, o grupo de cientistas discutiu a possibilidade de implantar células-tronco humanas em um embrião de rato quando este é uma pequena bola de células chamada blastócisto. Brivanlou disse ao
A medicina vê as células-tronco como uma panacéia que têm a capacidade primordial para a diferenciação, e podem se transformar em sangue, ossos, pele e qualquer outra parte do corpo. Os cientistas desejam usá-las na resistência aos efeitos degenerativos de doenças como Parkinson e câncer.
O enigma é como controlar a capacidade das células-tronco para desenvolver tecidos e órgãos específicos que possam ser usados em transplantes.
Os cientistas ignoram qual parte do corpo é o lugar apropriado para implantá-las e se o melhor momento de injetá-las no paciente é quando começam a desenvolver o tecido ou antes.
Para Charo, uma forma de encontrar respostas a estas perguntas é realizar experiências com animais. "O mero ato de misturar material (genético) humano e não humano parece horrível, mas é relativamente comum", explicou Charo. A professora citou o exemplo de pessoas cujos corações funcionam com válvulas transplantadas de porcos. Além disso, a distinção entre a informação genética de alguns animais, como os primatas, e o ser humano não é tão clara se pensa.
O dilema ético em torno desta experiência aponta para o centro da controvérsia sobre o aborto. Alguns pensadores opinam que o ser humano é o material genético e portanto começa com a concepção, enquanto outros acham que a humanidade radica na consciência de si mesmo. Para a segunda corrente, seria preocupante se o experimento fizesse com que as células humanas se desenvolvessem no cérebro do rato e "o animal percebesse a si mesmo de forma diferente que um animal faria", declarou Charo.
A professora afirmou que uma forma extremamente simples de evitar os problemas éticos apresentados pela criação de um híbrido de um ser humano e um animal é matar o embrião antes que ele nasça.
EFE - Agência EFE - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização escrita da Agência EFE S/A.