Ossuário pode ser única prova concreta da existência de Cristo

21 de outubro de 2002 • 18h21 • atualizado em 24 de outubro de 2002 às 23h21

Uma caixa para guardar ossos descoberta recentemente em Israel pode ser a primeira evidência arqueológica sobre a existência de Jesus Cristo. A inscrição do objeto, na língua aramaica, diz: "Tiago, filho de José, irmão de Jesus". Andre Lemaire, especialista em inscrições antigas na Practical School of Higher Studies da França, acredita que o objeto seja datado de três décadas após a crucificação.

Em artigo publicado na Biblical Archaeology Review, Lemaire diz que é muito provável que o achado seja uma referência autêntica a Jesus de Nazaré. Para Lemaire, o objeto data de 63 d.C. Nenhum artefato material do século I d.C. relacionado a Jesus foi descoberto até agora. O especialista acredita que, embora ainda existam muitas dúvidas, essa situação tenha mudado. Entre as perguntas que ainda estão sem resposta, está a dúvida de onde a peça com a inscrição esteve por mais de 19 séculos.

Lemaire disse que o estilo de escrita e o fato de os judeus usarem ossuários somente entre 20 a.C. e 70 d.C. colocam a inscrição na época de Jesus e Tiago. Os três nomes eram muito comuns, mas ele estima que somente 20 pessoas em Jerusalém chamavam-se Tiago e eram filhas de um José e irmãs de um Jesus. Além disso, colocar o nome do irmão e o do pai no ossuário era "muito incomum". Há somente um outro exemplo de um ossuário em Aramaico encontrado até hoje. "Portanto, o Jesus mencionado deve ter sido uma pessoa importante ou o próprio Jesus de Nazaré", conclui Lemaire.

A revista de arqueologia diz que dois cientistas de Pesquisa Geológica do governo israelense realizaram um detalhado exame microscópico da superfície e da inscrição. O dono da caixa também pediu a Lemaire para proteger sua identidade.

Tiago é considerado o irmão de Jesus no Novo Testamento e líder da Igreja em Jerusalém no Livro dos Atos e nas cartas de Paulo. No século I d.C., o historiador judeu Josephus escreveu que "o irmão de Jesus, que era conhecido como Cristo, era de nome Tiago", e foi morto por ser considerado um herege em 62 d.C. Se seus ossos foram colocados em um ossuário, isso teria ocorrido no ano seguinte, com a inscrição datando de 63 d.C.

O dono do ossuário nunca percebeu sua potencial importância até que Lemaire o examinou no início do ano. Hershel Shanks, editor da Biblical Archaeology Review, viu a caixa no dia 25 de setembro.

Redação Terra
 
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