Em artigo publicado na Biblical Archaeology Review, Lemaire diz que é muito provável que o achado seja uma referência autêntica a Jesus de Nazaré. Para Lemaire, o objeto data de 63 d.C. Nenhum artefato material do século I d.C. relacionado a Jesus foi descoberto até agora. O especialista acredita que, embora ainda existam muitas dúvidas, essa situação tenha mudado. Entre as perguntas que ainda estão sem resposta, está a dúvida de onde a peça com a inscrição esteve por mais de 19 séculos.
Lemaire disse que o estilo de escrita e o fato de os judeus usarem ossuários somente entre 20 a.C. e 70 d.C. colocam a inscrição na época de Jesus e Tiago. Os três nomes eram muito comuns, mas ele estima que somente 20 pessoas em Jerusalém chamavam-se Tiago e eram filhas de um José e irmãs de um Jesus. Além disso, colocar o nome do irmão e o do pai no ossuário era "muito incomum". Há somente um outro exemplo de um ossuário em Aramaico encontrado até hoje. "Portanto, o Jesus mencionado deve ter sido uma pessoa importante ou o próprio Jesus de Nazaré", conclui Lemaire.
A revista de arqueologia diz que dois cientistas de Pesquisa Geológica do governo israelense realizaram um detalhado exame microscópico da superfície e da inscrição. O dono da caixa também pediu a Lemaire para proteger sua identidade.
Tiago é considerado o irmão de Jesus no Novo Testamento e líder da Igreja em Jerusalém no Livro dos Atos e nas cartas de Paulo. No século I d.C., o historiador judeu Josephus escreveu que "o irmão de Jesus, que era conhecido como Cristo, era de nome Tiago", e foi morto por ser considerado um herege em 62 d.C. Se seus ossos foram colocados em um ossuário, isso teria ocorrido no ano seguinte, com a inscrição datando de 63 d.C.
O dono do ossuário nunca percebeu sua potencial importância até que Lemaire o examinou no início do ano. Hershel Shanks, editor da Biblical Archaeology Review, viu a caixa no dia 25 de setembro.
Redação Terra