Falta de água potável mata 4 mil crianças por dia

05 de setembro de 2006 • 16h32 • atualizado em 06 de setembro de 2006 às 00h02

A cada dia 4.500 crianças com menos de cinco anos de idade morrem no mundo todo devido à falta de acesso à água potável e à ausência de saneamento básico, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) e o Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). As duas organizações acreditam que, devido a esses dados, será difícil cumprir os Objetivos do Milênio correspondentes a estas matérias. "Cerca de 1,6 milhão de crianças com menos de cinco anos morreram em 2005 por não terem água potável ou condições mínimas de higiene, o que provoca diarréias e doenças infecciosas que terminam com sua vida", afirmou hoje a assessora do diretor-geral da OMS para assuntos de Desenvolvimento Sustentável e Saúde Ambiental, Susanne Weber-Mosdorf.

A OMS e o Unicef elaboraram um relatório conjunto sobre o ritmo de avanço na conquista dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio fixados em 2000 em matéria de água e saneamento. Esses objetivos estabelecem que o número de pessoas sem acesso à água potável teria que ser reduzido à metade até 2015 - com 89% da população mundial com acesso ao recurso -, e o mesmo deveria acontecer no que se refere ao saneamento básico - até que 75% tenha acesso a ele.

Para cumprir a meta correspondente à água potável seria preciso que os investimentos destinados a esse fim aumentem pelo menos 33%, enquanto seria necessário dobrar a quantia investida em saneamento. Em 1999, apenas 64% da população mundial tinha acesso à água potável, enquanto em 2005 essa percentagem chegou a 73%. Com relação ao saneamento, a percentagem passou de 26% a 39%. Ainda assim, há no mundo 1,1 bilhão de pessoas que não têm acesso à água potável, o que quer dizer que não têm água canalizada em suas casas, nem fontes ligadas ou poços com água potável em seus povoados ou pelo menos um sistema de recolhimento e purificação da água da chuva.

Quase 2,6 bilhões de pessoas não têm banheiros, latrinas ou algum tipo de canalização séptica ou cisterna em suas casas e, por isso, defecam ao ar livre ou em lugares insalubres. "É preciso levar em conta também que a população mundial cresce cada vez mais, por isso os esforços para combater essas carências têm que ser ainda maiores", explicou Weber-Mosdorf. Um claro exemplo é o da África Subsaariana, onde o número de pessoas com esse tipo de carência cresceu 23% entre 1990 e 2004, embora agora represente uma percentagem menor em relação à população total do continente.

"Mais uma vez, a situação mais grave é encontrada na África Subsaariana, onde apenas 56% da população tem acesso à água potável e 37%, a condições de saneamento", afirmou a diretora de Saúde Pública e Meio Ambiente da OMS, a espanhola María Neira. "O mais lamentável de tudo é que, ainda se fossem cumpridos os Objetivos do Milênio, milhões de pessoas continuariam morrendo em 2015 por causa dessas deficiências", disse o especialista.

As propostas das organizações da ONU para melhorar a situação só serão possíveis com o aumento dos investimentos, a descentralização das responsabilidades para que as autoridades locais tenham mais margem de manobra e o reconhecimento de que o acesso à água é um direito humano. "A OMS está preocupada especialmente com a população que não deixa de crescer nas grandes periferias urbanas, pois as condições em que as pessoas se amontoam, nas quais muitas vezes não há acesso à água, não só representam uma ameaça para a saúde física mas também para a intelectual e emocional", alertou Neira.

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