Tratamento sem medicação é eficaz contra maconha

20 de abril de 2006 • 09h03 • atualizado às 09h08

O resultado de um estudo realizado com 160 usuários de maconha reforça a idéia de que não é a intensidade do tratamento que importa, mas sim o vínculo a um serviço de assistência.

A pesquisa, apresentada como tese de doutorado da Unifesp, testou a efetividade de um tratamento breve para usuários de maconha, composto por informações e psicoterapia, sem uso de medicamentos.

Os participantes do estudo foram divididos em três grupos distintos. Ao primeiro grupo foi oferecido quatro sessões, uma vez por semana, de psicoterapia individual. Ao segundo, as mesmas quatro sessões, ao longo de três meses. Um terceiro grupo foi considerado controle e não recebeu a intervenção.

Nos grupos que receberam a psicoterapia, houve redução significativa na porcentagem de dias fumados (últimos 90 dias). O grupo 1 reduziu em 30% e, o grupo 2, em 37%. O número de cigarros consumidos também diminuiu. O grupo 1 reduziu em 62% e, o grupo 2, em 72%.

Tanto os sintomas de dependência como os problemas relacionados à maconha ¿ déficit de memória, dificuldades de relacionamento familiar e social e diminuição da auto-estima - foram reduzidos significantemente. Entretanto, os melhores resultados foram verificados no grupo que recebeu as sessões espaçadamente.

De acordo Flávia Jungerman, psicóloga da Unidade de Pesquisa em Álcool e Drogas (Uniad) da Unifesp e autora do trabalho, os usuários do grupo controle também reduziram não apenas os dias fumados como a quantidade de cigarros consumidos.

"Percebemos uma mudança de comportamento já na entrevista inicial e o tempo entre uma sessão mensal e outra colaborou para o amadurecimento da psicoterapia", afirma a pesquisadora.

"Os dados encontrados, ao longo dos meses analisados, reforçam a idéia de que não importa a intensidade do tratamento, mas sim o vínculo ao serviço de assistência".

Os usuários analisados têm, em média, 32 anos, são solteiros, têm alto grau de escolaridade, estão empregados e consomem maconha desde os 16 anos. A amostra pesquisada usou a droga em 92% dos 90 dias que anteciparam a entrevista inicial e fumou cerca de dois cigarros (baseados) por dia durante esse período.

O estudo terá continuidade e avaliará se os resultados perduram ao longo de nove e 15 meses de tratamento.

Redação Terra
 
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