Células-tronco ajudam a reduzir problemas cerebrais

07 de abril de 2006 • 21h34 • atualizado às 22h35

Animais com problemas cerebrais e motores foram auxiliados em sua recuperação por uma injeção de células-tronco adultas, informaram nesta sexta-feira cientistas americanos. Os problemas dos animais eram similares aos causados por um ataque apoplético ou a paralisia em adultos, e a aplicação do procedimento poderia ser crucial em seres humanos, afirmaram os cientistas do Centro Médico da Geórgia e do Centro Médico para Veteranos da cidade de Augusta.

Os pesquisadores expuseram o resultado de seus testes na reunião anual da Academia de Neurologia dos EUA em San Diego, Califórnia. Eles injetaram dose de 200 mil a 400 mil células- tronco humanas no cérebro de animais que tinham perdido sua mobilidade e outras funções físicas. Os cientistas utilizaram as recém descobertas células progenitoras plenipotentes adultas (MAPC, na sigla em inglês).

Os animais experimentaram pelo menos 25% mais de mobilidade motriz e função neurológica em comparação com os que foram utilizados como controle do estudo, segundo Cesario Borlongan, neurologista do Colégio Médico.

O cientista disse que uma só dose produziu uma recuperação forte na primeira etapa do transplante e a recuperação se manteve até dois meses, que foi o tempo que durou o estudo. "Além desse intervalo, os animais continuaram mostrando sintomas de recuperação", disse Borlongan.

Embora depois desse período houvesse menos de 1% das células transplantadas, os animais tinham desenvolvido novos neurônios, aparentemente a partir das células-tronco endógenas. "Não é uma cura, mas a recuperação é grande e pode ajudar alguém a abandonar o leito e ocupar uma cadeira de rodas; sair dessa cadeira e caminhar com muletas, deixar as muletas e caminhar sem ajuda", disse David Hess, especialista em apoplexia e diretor do Departamento de Neurologia do Colégio Médico da Geórgia.

Hess acrescentou que a causa principal de incapacidade nos adultos americanos são os ataques apopléticos, que são "um enorme problema no mundo todo".

O neurologista também expressou sua esperança que algum dia o tratamento com células-tronco combinado com um rigoroso tratamento físico possa reduzir os problemas de mobilidade. "Se alguém puder passar da cadeira de rodas para a muleta será um enorme progresso", concluiu Hess.

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