Químicos da USP desenvolvem biodiesel brasileiro

14 de março de 2003 • 11h27 • atualizado às 12h58
Aluno trabalha no Laboratório da USP Foto: Divulgação
Aluno trabalha no Laboratório da USP
14 de março de 2003
Foto: Divulgação

Christina Lima

São Paulo


Está em fase final de aprovação na Agência Nacional do Petróleo (ANP) a regulamentação do uso do biodiesel brasileiro, combustível totalmente renovável e ecológico obtido da mistura de álcool de cana e óleos vegetais, criado pelos pesquisadores da Universidade de São Paulo, em Ribeirão Preto.

De acordo com Miguel Dabdoub, coordenador do Projeto Biodiesel Brasil do Departamento de Química da USP, o emprego do B5, como foi batizada a experiência que prevê a mistura de 5% de biodiesel e de 95% de petrodiesel, reduziria as importações do diesel tradicional em 33%. "O aditivo também reduziria 7% da emissão de dióxido de carbono e de 17% da de enxofre, causador da chuva ácida", diz Dabdoub, que acredita ver a mistura rodando nos veículos brasileiros até 2005.

O projeto do B5 já está em andamento no Ministério da Ciência e Tecnologia. A idéia da fabricação de um combustível que utilize óleos de origem vegetal não é nova. Na Europa, especialistas já desenvolvem um biodiesel com metanol, um álcool obtido a partir do petróleo, não renovável e tóxico.

A grande vantagem do combustível desenvolvido pelos químicos da USP é o uso apenas de fontes 100% vegetais, reduzindo a emissão de dióxido de carbono, principal responsável pelo efeito estufa.

Matéria-prima é o que não falta no Brasil. O biodiesel pode ser obtido a partir dos óleos de soja, girassol, milho, canola e algodão. Como o babaçu, o dendê e o pequi (planta do cerrado) também podem ser aproveitados, a extração do óleo dessas plantas poderia servir de alicerce para o desenvolvimento de lavouras nas regiões Norte, Nordeste e Centro-Oeste.

O time da USP marcou outro gol com o novo combustível: o tempo do processo de produção foi reduzido de seis horas para 30 minutos, o que permite baratear o produto. Para isso são empregados um catalisador e um co-catalisador que aceleram a reação química. As duas substâncias são mantidas em segredo porque o processo está sendo patenteado. O certo é que a eficiência da reação chega a 100% e, no final, ainda separa o biodiesel da glicerina, possibilitando o uso deste subproduto de alto valor agregado nas indústrias farmacêutica, cosmética e de explosivos.

Miguel Dabdoub não se ilude com as dificuldades que a substituição integral do óleo diesel terá de vencer. "A área de produção de plantas oleaginosas teria de ser multiplicada e seria preciso reorganizar a rede de produção e de distribuição, ainda que não fosse necessário trocar tanques ou motores."

Questões econômicas e sócio-ambientais do uso do biodiesel e a sua viabilidade técnica serão discutidas no 1o Congresso Internacional de Biodiesel, de 14 a 16 de abril, em Ribeirão Preto, São Paulo. Os problemas e as vantagens da implantação real do combustível serão analisados no encontro por especialistas brasileiros e estrangeiros.

Redação Terra
 
Enviar para amigos
Fechar por:
Enviar para amigos
Fechar por:

Imprimir

Fechar
Mais vistos

Notícias

  1. Carregando...
leia mais notícias »