Carolina Schwartz
São Paulo
Na Costa Rica, o ecoturismo gera US$ 825 milhões para a economia local e é tão importante para o país que o governo costarriquenho chega a pagar fazendeiros para deixar crescer mata. Com isso, tornou-se o único país da região tropical onde a cobertura florestal aumentou.
"Esse é um modelo viável para muitos países, inclusive o Brasil", afirmou o presidente do grupo ambientalista Conservação Internacional, Russell A. Mittermeier. Ele participa da 8ª Conferência das Partes da Convenção sobre Diversidade Biológica (COP8), em Curitiba, cujo tema é a redução da perda da biodiversidade. A reunião, que começou na semana passada e vai até sexta-feira, trouxe ao país representantes de 173 governos.
Mittermeier cita também o exemplo da ilha de Madagáscar, que, depois de perder mais de 85% de sua cobertura florestal original, vem apostando na criação de áreas protegidas para a preservação de espécies e deve ter no turismo, dentro de alguns anos, sua principal fonte de renda.
"Em Madagáscar, há associações de guias que trabalham em áreas protegidas e que ganham 10 a 20 vezes mais do que a população em geral. Eles tiram muito proveito da biodiversidade", disse.
Cerca de 12% da superfície terrestre do mundo está em áreas protegidas, destinadas à proteção e manutenção da diversidade biológica. Nas Ilhas Fiji, conhecida área de mergulho no sul do Pacífico, o turismo já é a maior fonte de moeda estrangeira, e projetos locais de preservação de florestas nativas vêm atraindo um número cada vez maior de turistas.
"Além do mergulho, agora as pessoas vêm para ver a floresta", contou Lemeki Lenoa, que trabalha em um projeto de conservação na principal ilha de Fiji, Viti Levu. O governo paga compensações para os residentes locais não cortarem árvores para explorar madeira, além de financiar projetos de plantações alternativas para gerar renda.
Riscos com excessos
Mas o ecoturismo tem que ser cauteloso e planejado para não haver prejuízo aos, muitas vezes, frágeis ecossistemas ou à população local, afirma François Martell, diretor do Pacific Island Program, com sede em Samoa. "Alguns hotéis acabam ocupando praias e às vezes limitando o acesso dos residentes", disse.
Um relatório sobre observação de vida selvagem, divulgado durante o evento pelo Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), também alertou para alguns riscos do mau gerenciamento do ecoturismo.
O documento apontou que excesso de visitantes pode, por exemplo, abalar áreas de reprodução de certas espécies, como de tartarugas. "É necessário entender profundamente os efeitos do turismo na vida selvagem, para que haja melhor monitoramento, gerenciamento de visitantes e controles na observação da vida selvagem", afirmou Michael Iwand, diretor-executivo do grupo turístico europeu TUI, que ajudou a preparar o relatório.
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