Cientistas identificam gene do metabolismo da gordura

24 de março de 2006 • 11h50 • atualizado às 13h09

Um grupo de cientistas americanos identificou um gene que oferece uma nova pista sobre a obesidade e pode levar ao desenvolvimento de novos medicamentos para o controle do metabolismo da gordura. Segundo a Agência Fapesp, os pesquisadores da Universidade do Estado de New Jersey (Rutgers), Estados Unidos, encontraram novos dados no funcionamento molecular da proteína resultante do gene estudado.

A proteína conhecida como lipina é uma enzima importante no processo de regulagem da gordura. "A atividade da lipina pode ser um alvo farmacêutico importante para o controle da gordura corporal em humanos, levando ao tratamento de condições que vão da obesidade à perda de peso em portadores de HIV", disse George Carman, líder da pesquisa.

Estudos anteriores com camundongos mostraram que a falta de lipina causa a perda de gordura, e que o excesso promove o acúmulo de uma quantidade extra, o que levou à conclusão de que a substância estaria envolvida com o metabolismo da gordura. Só não se sabia como.

Em artigo a ser publicado em abril no Journal of Biological Chemistry, os pesquisadores descrevem que a lipina é uma enzima do tipo PAP, um catalisador protéico necessário para a formação de gorduras, especialmente triglicerídios.

O grupo tomou como modelo de estudo o fermento biológico (Saccharomyces cerevisiae) usado por padeiros. "Isolamos a enzima PAP do organismo que corresponde na forma à lipina em mamíferos e verificamos que as células sem a enzima apresentaram uma redução de 90% de gordura", explica Carman.

Experiência mostrou relação entre elementos

Os pesquisadores analisaram a seqüência de aminoácidos que formavam a enzima, o que permitiu rastrear a origem do processo até o gene responsável pela ativação, o PAH1. Para confirmar a relação, introduziram em bactérias o gene recém identificado. Os resultados foram similares.

A equipe da Rutgers verificou em seguida que a enzima codificada pelo gene PAH1 não apenas era semelhante como atuava de forma muito parecida com a lipina encontrada em mamíferos, deduzindo dali a relação entre a enzima PAP e a lipina.

Redação Terra
 
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