"Expressão" dos genes separa humanos de chimpanzés

08 de março de 2006 • 19h22 • atualizado em 09 de março de 2006 às 01h30

Como é possível que serem humanos e chimpanzés, que têm 99% dos genes em comum, sejam tão diferentes? Segundo cientistas dos Estados Unidos e da Austrália, isso se deve em grande parte não aos genes em si, mas à expressão deles.

A expressão genética é o processo pelo qual os genes são "ligados" ou "desligados". Nem todos os cerca de 30 mil genes humanos funcionam ao mesmo tempo em todas as células.

"Achamos que a expressão genética é uma parte importante do que separa chimpanzés e humanos", disse Kevin White, professor-associado de Genética, Ecologia e Evolução na Universidade Yale, dos Estados Unidos.

White e pesquisadores da Universidade de Chicago e do Instituto Parkvile, de Vitória, Austrália, observaram a expressão dos genes em humanos, chimpanzés, orangotangos e macacos rhesus.

Eles usaram uma nova tecnologia para comparar o nível de expressão de 1.056 gêneros nas quatro espécies. "Ao observarmos a expressão genética, encontramos diferenças bastante pequenas em 65 milhões de anos da evolução de macacos, orangotangos e chimpanzés", disse Yoav Gilad, da Universidade de Chicago, chefe da equipe de pesquisa.

Segundo ele, o que houve foram rápidas mudanças em grupos específicos de genes, os chamados fatores de transcrição, que controlam a expressão de outros genes. Isso ocorre desde que os humanos divergiram de seus ancestrais símios, nos últimos 5 milhões de anos.

"Esta rápida evolução nos fatores de transcrição ocorreram apenas em humanos", acrescentou Gilad em nota. A pesquisa, publicada na revista Nature, apóia a hipótese sugerida há 30 anos por Mary-Claire King e Allan Wilson, segundo a qual as principais diferenças entre humanos e chimpanzés se deve à expressão de seus genes.

Até o mapeamento do genoma humano e o desenvolvimento da tecnologia necessária à análise em grande escala da expressão genética, não era possível testar tal hipótese.

Gilad, White e seus colegas usaram amostras do fígado de cinco machos de cada uma das quatro espécies. Eles descobriram que cerca de 60% dos genes tinham níveis consistentes de expressão em humanos e nos outros animais.

Mas os fatores de transcrição dos genes têm mais probabilidade de terem mudado seus padrões de expressão dos que os genes regulados por tais fatores.

"Especificamente na linhagem humana, os fatores de transcrição estão mudando e evoluindo sua expressão em um ritmo mais rápido do que em outras linhagens, particularmente em comparação com os chimpanzés", disse White.

Os pesquisadores não sabem o que provocou essa mudança nos fatores de expressão dos genes humanos, mas suspeitam que isso se deva ao ambiente, à aquisição do fogo e à preferência por comida cozida. O grupo pretende no futuro usar outros tipos de tecidos para ampliar a comparação da pesquisa genética.

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