"Este templo, hoje destruído e coberto de areia, tinha vinte metros de comprimento e estava situado a 140 km de Siwa (oeste do país), às margens de um oásis abandonado", explicou Paolo Gallo, pesquisador da Universidade de Turim (Itália).
De acordo com Gallo, nos blocos provenientes dos tabiques destruídos estão pintadas em relevo as divindades do panteão egípcio. "O templo possuía uma sala de seis colunas, anexada provavelmente durante a época de Ptolomeu", acrescentou. A missão italiana se esforça por salvar os blocos mais importantes, ameaçados pela erosão dos fortes ventos que assolam continuamente a região.
A parte mais antiga do templo foi construída e decorada pelo faraó Nectanebo I (380-361 AC) e, "graças aos hieróglifos achados, foi possível conhecer o nome que tinha este oásis na Antigüidade, Imespep", acrescentou Gallo. "A importância histórica da descoberta é considerável, pois até o momento não tinha sido achado nenhum monumento do faraó Nectanebo I na região de Siwa", precisou o egiptólogo.
Conforme Gallo, a descoberta revela a vontade política deste soberano de embelezar a região dos oásis no Egito e de melhorar as comunicações com o vale do Nilo.
Esta zona arqueológica, atualmente chamada Bahrein, é conhecida desde 1920, embora os pesquisadores ignorassem até nossos dias a existência deste templo faraônico. Bahrein, que na Antigüidade era um oásis de passagem entre Siwa e Bahariya, fica perto do Grande Mar de Areia, no qual as dunas escondem, de acordo com o historiador Heródoto, os vestígios do exército de Cambise, conquistador persa do Egito (520 AC).
Bahrein foi abandonada na época bizantina pela decadência do tráfego de caravanas, e não foi repovoada, provavelmente por causa das difíceis condições de vida.
Paolo Gallo fundou em 1997 o Centro da Missão Arqueológica Italiana de Alexandria (CMAIA), que também trabalha na Ilha de Nelson, em frente a Alexandria, na qual foram encontrados em novembro os restos de uma fortaleza da época macedônia.
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