É mais barato proteger recife de coral que abandoná-lo, diz ONU

24 de janeiro de 2006 • 10h41 • atualizado às 10h41

Alister Doyle

São Paulo


Os custos envolvidos na preservação de recifes de coral e mangues do mundo todo são pequenos se comparados com os benefícios que eles propiciam na forma de turismo e pesca, disse o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambienta (Unep), na terça-feira.

O relatório, parte de uma tendência recente de ressaltar o valor econômico do mundo natural, disse que a poluição, o aquecimento global e a expansão das cidades ao longo da costa estão entre as maiores ameaças aos corais e mangues.

"Todos os dias, em todos os oceanos e mares do mundo, a natureza trabalha para gerar fontes de renda e de sustentação para milhões, ou bilhões, de pessoas", afirmou o diretor-executivo do Unep, Klaus Toepfer, em um comunicado.

O relatório, que deve ser divulgado em uma conferência em Paris, estima que recifes de coral intactos renderiam entre 100 mil e 600 mil dólares por quilômetro quadrado por ano. O quilômetro quadrado de mangues renderia entre 200 mil e 900 mil dólares por ano.

"Os maiores benefícios proporcionados pelos recifes de coral e pelos mangues aparecem na forma de peixes, de madeira para a construção e para queimar, do turismo e da proteção da costa", disse.

Os corais e os mangues protegem a linha costeira, por exemplo, da erosão provocada por tempestades.

De outro lado, o custo envolvido na proteção de um quilômetro quadrado de recife de coral ou de mangue em um parque marítimo era de apenas 775 dólares por ano, afirmou o Unep.

O órgão reconheceu que as estimativas baseavam-se em dados genéricos e que teriam de ser olhadas com cautela, mas que indicavam, de toda forma, os benefícios da proteção.

Segundo o Unep, cerca de 30 por cento dos recifes de coral do mundo estão bastante danificados e 60 por cento dessas formações podem desaparecer até 2030. Cerca de 35 por cento das áreas de mangue já haviam desaparecido devido ao desmatamento, doenças e conversão da área em criadouros de peixe.

Toepfer afirmou que o relatório deveria fazer com que as pessoas "pensassem duas vezes sobre a poluição, as mudanças climáticas, o desenvolvimento desenfreado e outras práticas danosas que minam as bases econômicas de tantas comunidades costeiras do mundo todo".

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