Maior peixe do mundo está 'encolhendo'

18 de janeiro de 2006 • 08h43 • atualizado às 08h54
Os tubarões-baleia são pescados em países do leste asiático Foto: BBC Brasil
Os tubarões-baleia são pescados em países do leste asiático
18 de janeiro de 2006
Foto: BBC Brasil

Tubarões-baleia vistos na costa australiana estão ficando menores, dizem pesquisadores. Na última década, o tamanho médio do maior peixe do mundo teria diminuído de 7 metros para 5 metros. E isto estaria acontecendo por causa da pesca indiscriminada.

Os tubarões-baleia são pescados em países do leste asiático, onde sua carne é apreciada. A espécie está listada como "vulnerável" e pesquisadores do Instituto Australiano de Ciência Marinha (Aims), que analisou dados dos últimos dez anos, afirmam que a tendência "é muito preocupante".

Ecoturismo
A descoberta foi feita a partir de expedições de ecoturismo, para ver e nadar com o tubarão-baleia que, apesar de ter uma boca de 1,5 metro de comprimento, é dócil e se alimenta de plâncton.

As empresas que fazem os passeios no Ningaloo Marine Park, na costa noroeste da Austrália, catalogam o tamanho, o sexo e a posição de cada um dos tubarões que vêem.

"Nós obtivemos as bases de dados e analisamos por um período de dez anos", disse Mark Meekan, do Aims. "O que nós vimos foi o declínio no tamanho médio. Se você levar em conta que os tubarões-baleia provavelmente não alcançam a idade reprodutiva até chegarem a seis ou sete metros, a informação é preocupante".

Os tubarões-baleia (Rhincodon typus) vivem até 150 anos e podem chegar a 20 metros de comprimento. Se acredita que atinjam a maturidade sexual por volta dos 30 anos. Eles vivem em mares quentes, perto do Equador, incluindo a costa brasileira.

A União Internacional de Conservação da Natureza (IUCN), que reúne 82 países e produz uma lista de espécies ameaçadas, chamada de lista vermelha classifica o tubarão-baleia como espécie vulnerável. "Como muitos outros tubarões, eles são altamente vulneráveis por causa da vida longa e da baixa reprodutividade", afirma Callum Roberts da Universidade de York na Grã-Bretanha, que pesquisou a espécie no Caribe.

"A espécie foi incluída na lista das ameaçadas da CITES (Convenção de Comércio Internacional em Espécies Ameaçadas), mas isto não vai protege-los se eles forem pescados em Taiwan e consumidos no próprio país", explica.

"Os tubarões-baleia estão correndo risco e a redução do tamanho pode ser consequência da captura dos maiores tubarões", acredita Roberts. Também há indicações de que o número de tubarões-baleia visitando as águas Australianas possa estar diminuindo, outro indicador de declínio provocado pela pesca indiscriminada.

Rastreamento
Os pesquisadores do Aims criaram um programa em que alguns dos tubarões estão sendo monitorados para acompanhar as rotas de migração entre a Austrália, a Ásia e a costa leste da África.

No mês passado um dos transmissores foi localizado na Indonésia, provavelmente em terra, por vários dias, o que levou os pesquisadores a suspeitar que o tubarão tenha sido pego e o transmissor removido.

Na Ásia, além da carne, as nadadeiras gigantes dos tubarões-baleia são usadas como placas pelos restaurantes que servem sopas de barbatana de tubarão. O óleo do fígado também é aproveitado, assim como a cartilagem, usada tradicionalmente na medicina chinesa.

Mapear as rotas de migração pode ajudar a apontar onde eles estão sendo apanhados. "Muitas das pessoas fazendo isto, são pescadores sem outras opções. Se nós soubermos onde eles estão, podemos indicar outras opções muito lucrativas", diz Meekan.

A indústria do ecotorismo em Ningaloo movimenta US$ 50 milhões por ano (R$ 115,5 milhões). A longo prazo, os pesquisadores do Aims esperam entender melhor o ciclo de vida do tubarão baleia. Seus hábitos reprodutivos ainda são um mistério e eles são animais solitários, que se reúnem em algum lugar para reproduzir. Se acredita que eles cuidem dos filhotes, mas poucos já foram avistados.

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