Médicos da Universidade do Alabama, em Birmingham, fizeram uma pesquisa com 38 homens com diagnóstico de neuropatia ótica isquêmica anterior não-arterítica (Naion), segundo o estudo, que será publicado no British Journal of Ophthalmology. A doença, conhecida como "derrame do olho", ocorre quanto existe uma súbita interrupção do fluido sangüíneo no nervo ótico na parte de trás do globo ocular, que leva os sinais visuais para o cérebro. Como resultado, as células nervosas sofrem danos e a visão no olho afetado pode ser perdida parcial ou totalmente. O dano não é tratável e, na maioria dos casos, é permanente.
Em aproximadamente um em cada quatro casos, a Naion também ataca o outro olho. Os cientistas entrevistaram os 38 pacientes, perguntando a eles sobre seu histórico médico e se haviam usado as drogas contra disfunção erétil Viagra ou Cialis.
Eles compararam estes dados com perguntas similares feitas a um grupo de "controle" composto por outros 38 homens com idade similar e que não sofriam de Naion.
Quando os dois grupos foram comparados, não foram encontrados vínculos entre a doença e o uso destes medicamentos. Mas o resultado foi diferente entre aqueles homens com histórico de ataque cardíaco. Homens que tomaram remédios contra impotência e sofreram enfartes se revelaram 10 vezes mais propensos a sofrer de Naion do que os que não tomaram as drogas e nunca tiveram ataque cardíaco.
Os cientistas também acreditam que possa haver um vínculo estatístico entre a doença entre os homens que tenham pressão alta e tomam o medicamento, mas reconhecem que os números de seus estudos são muito pequenos para quantificar o risco adequadamente. Os pesquisadores afirmam que é necessário fazer estudos mais apurados para explorar o vínculo suspeito, mas pedem cautela a médicos e usuários quando o paciente apresentar problemas cardiovasculares.
"Para os homens com histórico de infarto do miocárdio ou hipertensão, o uso de Viagra ou Cialis pode aumentar o risco de Naion", advertem.
"(...) Embora a doença seja rara, o grande número de homens que tomam Viagra ou Cialis sugere que, se a associação realmente existir, a incidência de Naion pode aumentar dramaticamente", afirmam os autores da pesquisa.
No grupo de portadores da doença estudado, a idade média é de 61 anos e 90% são brancos. Mais da metade dos pacientes sofreu ataque cardíaco, tem diabetes ou altas taxas de colesterol, ou é fumante. Estes são fatores que, na meia idade, estão relacionados de forma independente com o risco de desenvolver a doença.
O Naion é a doença do nervo ótico mais comum entre adultos com mais de 50 anos, mas entretanto, é rara. Na população americana, que é de cerca de 300 milhões de pessoas, os registros são de 1,5 mil a 6 mil casos por ano.
Viagra e cegueira
Entre os vários casos citados na imprensa médica desde o ano 2000, a maior incidência ocorreu no ano passado, quando 14 homens sofreram Naion logo após tomarem Viagra. Oito tinham histórico de pressão alta e seis, problemas de colesterol.
Em 8 de julho do ano passado, a FDA determinou aos fabricantes a impressão de novos alertas nas caixas dos medicamentos Viagra, Cialis e em um terceiro, o Levitra, informando o que chamaram de "um pequeno número" de registros de "súbita perda de visão" em um dos olhos entre homens que fizeram uso destes medicamentos. No entanto, a agência destacou que não era claro "na época" se os tratamentos causavam cegueira ou seriam outros fatores os responsáveis.
O laboratório Pfizer, fabricante do Viagra, informou que durante testes amplos com 13 mil pacientes, nenhuma evidência surgiu sobre qualquer vínculo do uso do medicamento com a incidência de Naion.
Cialis, uma "joint venture" entre os laboratórios Eli Lilly e ICOS, publicou uma mensagem em seu site na internet segundo o qual "em raras instâncias", homens que ingeriram drogas contra a disfunção erétil, inclusive o Cialis, registraram uma súbita diminuição ou perda da visão.
"Não é possível determinar se estes eventos estão diretamente relacionados com estes medicamentos ou com outros fatores", destacou a Cialis. Uma mensagem similar foi publicada no site do Levitra, "joint venture" da Bayer, GlaxoSmithKline e Schering-Plough.
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