Furacões atingiram mundo com fúria e intensidade inéditas em 2005

06 de dezembro de 2005 • 15h06 • atualizado às 15h06

A natureza liberou sua fúria este ano contra EUA, México, Caribe e América Central em uma sucessão de furacões que numa espiral de destruição deixaram mais de dois mil mortos e prejuízo de mais de US$ 100 bilhões.

Até a Espanha sofreu os abalos da turbulenta temporada de furacões de 2005 quando, pela primeira vez, uma tempestade tropical, o Delta, atingiu o arquipélago das Ilhas Canárias.

Os ventos de 26 tempestades e 14 furacões circularam por seis meses pelo Atlântico em uma desenfreada corrida que, em muitos casos, gerou pânico em áreas povoadas, demoliu casas, arrastou árvores, redes elétricas e levou o mar a provocar inundações mortais.

Esta temporada de furacões ficará na história da meteorologia como a mais intensa e destruidora já registrada. Em 2005, vários recordes foram batidos, inclusive o maior número de tempestades com nomes, que superou a temporada antológica de 1933, e o maior número de furacões, jogando por terra o recorde de 12 de 1969.

Além disso, sete ciclones chegaram às categorias três, quatro e cinco, e sete fenômenos, entre tempestades e furacões, atingiram o continente nos EUA, superando as temporadas de 1916 e de 2004.

Mas cientistas alertam que este é apenas o começo. O Atlântico estaria em uma fase de hiperatividade ciclônica que poderia produzir temporadas semelhantes.

"Estou preocupado com o próximo ano e com muitos anos depois dele. Temos seis meses para nos preparar para a temporada de 2006. É uma realidade que temos de encarar", disse Max Mayfield, diretor do Centro Nacional de Furacões dos EUA (NHC, em inglês).

O aumento do número e da intensidade das tempestades e furacões pode abranger várias décadas, aproximadamente entre 20 a 30 anos, de acordo com os especialistas.

Michael Tichacek, meteorologista do NHC, explicou à EFE que estudos dos períodos de maior ou menor atividade dos ventos mostraram que, nas décadas de 30, 40 e 50, foi identificado grande movimento dos fenômenos tropicais.

A atividade diminuiu nos anos 60, 70 e 80, para depois ressurgir com força no início de 1995. "É provável que, nos próximos dez ou vinte anos, se formem mais destes fenômenos", antecipou.

Entre os fatores que contribuem para a atividade estão a temperatura das águas do mar, que este ano foi 2ºC a 3ºC mais alta que a normal, a pressão barométrica, a umidade e quantidade de chuvas na África, explicou Tichacek.

Quanto ao aquecimento global, o meteorologista disse que não há provas que demonstrem que tenha relação com uma maior atividade ciclônica, embora alguns cientistas digam o contrário.

Se a próxima temporada de furacões for parecida com a última, será digna de medo considerando a devastação causada pelo furacão Katrina no estado da Louisiana, onde alcançou a categoria quatro, uma das maiores na escala Saffir-Simpson.

Após sua passagem devastadora por Nova Orleans, o Katrina superou o furacão Andrew (1992) como o ciclone mais destruidor e caro nos Estados Unidos.

Katrina, com o Rita e o Wilma, estabeleceu o recorde da temporada com mais furacões de categoria cinco. Wilma foi o ciclone mais intenso da história da meteorologia dos EUA e o Rita, o terceiro.

Por causa do Rita, o Texas foi evacuado em massa. A manobra foi considerada por Tichacek a mais importante em seus 15 anos no NHC. A esse furacão são atribuídas 119 mortes e um prejuízo total calculado em US$ 16 bilhões.

Wilma torturou a península de Yucatán, no México, por mais de 30 horas. Seus poderosos ventos ultrapassaram 200 Km/h. Depois, se abateu sobre o estado da Flórida (EUA) deixando mais de três milhões de pessoas na escuridão.

O furacão matou 47 pessoas, sendo 22 nos Estados Unidos, onde houve danos estimados em US$ 14 bilhões. O México também teve numerosas perdas econômicas.

Stan foi outro furacão que provocou prejuízo, mortes e destruição no México e na América Central. Com seus ventos velozes, inundações e deslizamentos de terra, fez 1.153 mortos, a maioria na Guatemala.

A temporada foi tão intensa que esgotou, pela primeira vez, a lista de 21 nomes usada a cada ano. Os meteorologistas tiveram de recorrer ao alfabeto grego.

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