Ciência e Meio Ambiente

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Sábado, 26 de novembro de 2005, 19h04

Cientistas apresentam nova teoria sobre a percepção cerebral

Os processos de percepção ocorrem no lóbulo frontal do cérebro e não nas áreas sensoriais primárias do córtex cerebral, como se pensava, declararam cientistas da Universidade Nacional Autônoma do México (UNAM).

"A descoberta, que será publicada na edição de dezembro da revista Nature Neuroscience, resultou de quatro anos de experiências com macacos", informou a UNAM em um comunicado.

A experiência é "contundente e demonstra pela primeira vez qual é o papel funcional destas áreas do cérebro e onde ocorrem os processos da nossa percepção", acrescentou a instituição.

A pesquisa foi chefiada por Víctor de Lafuente e Ranulfo Romo, do Instituto de Fisiologia Celular da UNAM.

"Pensava-se que a percepção estivesse nas áreas sensoriais primárias, no lóbulo frontal, concretamente na área motora suplementar, onde se cria um sistema ou centro de convergência capaz de captar informação, tanto da memória quanto sensorial, para gerar ações", continuou a UNAM.

Alguns autores recentes defendem que "as correlações neuronais da percepção ocorrem nas áreas sensoriais do córtex cerebral", razão pela qual Romo não descarta que a descoberta gere debates.

A pesquisa consistiu em dar aos os macacos estímulos em um dedo. Eles deveriam apertar botões como resposta.

"Quando (o macaco) sentia o estímulo, os neurônios do córtex frontal se ativavam e sabíamos por antecipação, antes que o macaco apertasse o botão, que havia sentido esta indução", explicou.

Ao contrário, continuou, "quando o estímulo era menor e o animal não o sentia, estes neurônios não se ativaram, ou seja, não refletiam a quantidade física do mesmo, mas a percepção do mamífero".

O trabalho "resolve um antigo problema da ciência sobre qual é a mínima informação que o cérebro necessita para gerar nossa percepção", destacou o cientista.

De Lafuente destacou em comunicado que a percepção "precisa da ativação de córtices sensoriais primários, mas isto não é suficiente para produzi-la. Além disso, é preciso que esta atividade viaje até os lóbulos frontais, se combine com a memória e as expectativas do ambiente".

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