"Vamos falar pela televisão e eu contarei o que eu estou vendo", disse o astronauta, em Moscou. Apaixonado pela série de ficção-científica "Perdidos no Espaço", produzida nos anos 1960, o astronauta brasileiro já começa a ser transformado em herói. Fotografou nesta tarde ao lado de Lula e do presidente russo, Vladimir Putin, no Palácio do Kremlin, em Moscou, e tem fotos suas coladas em paredes e mesas da Agência Espacial Brasileira.
Treinando desde 1998 para este fim, Pontes deixará a Terra em 22 de março do ano que vem. Ele viajará na nave russa Soyuz junto a outros dois astronautas. "É um sonho realizado que permitirá que outros objetivos se realizem", afirmou ele a jornalistas, antes da cerimônia de assinatura de seu contrato de viagem.
Mas a carona cósmica não sairá de graça. O governo brasileiro gastará aproximadamente US$ 10 milhões com a missão. Após chegar na estação espacial internacional, o tenente-coronel da Aeronáutica realizará experimentos científicos em ambiente de microgravidade, oportunidade para compreender melhor fenômenos físicos, químicos e biológicos.
Para a experiência mais esperada de sua vida, o astronauta já tem a bagagem pronta. Levará à expedição sideral uma bandeira do Brasil e um chapéu de Santos Dumont.
No Brasil e na Rússia, Pontes já ganhou o carinhoso apelido de Gagarin brasileiro, em uma referência ao russo Iuri Gagarin, o primeiro astronauta a visitar o espaço. Em 1961, no regime soviético, o aviador russo fez uma órbita completa na Terra a bordo da nave Vostok I. O vôo de mais de uma hora deixaria de herança para a história a célebre declaração: "Eu vejo a Terra. Ela é azul".
Pontes ainda não foi ao espaço, mas já sabe a primeira coisa que vai fazer quando voltar: "Colocar a mão no chão para sentir a terra firme".
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