Cientistas da Universidade Nacional (UNA) da Costa Rica estudam a possibilidade que o veneno da serpente Bothrops asper (chamada localmente de "terciopelo", veludo em português) possa eliminar o mal de Chagas em humanos, após realizar alguns testes com sucesso em ratos.
Rodrigo Zeledón, pesquisador do laboratório de zoonose da UNA, disse nesta sexta-feira em comunicado que o veneno da serpente foi aplicado em quantidade ínfima em ratos infectados com o mal de Chagas com resultados "fantásticos".
Segundo Zeledón, a aplicação de um micrograma do veneno por mililitro de sangue causou o desaparecimento total do parasita que transmite o mal e, por ser uma quantidade muito pequena, a ação tóxica do veneno não afetou os roedores. "Já temos um indício que o veneno mata ao Triponosoma crusi (parasita que transmite o mal) ao desagregar totalmente o aparelho mitocondrial do parasita e bloquear sua capacidade de produzir energia, matando-o facilmente", afirmou o cientista.
Depois da descoberta, os cientistas tentam determinar a citotoxicidade da substância, ou seja, até que ponto o veneno da serpente, em baixas concentrações, poderia ser nocivo para as células humanas.
O mal de Chagas é transmitido pelo parasita Triponosoma crusi, que entra no organismo humano através da urina de um inseto chamado barbeiro. Aproximadamente 18 milhões de pessoas estão contaminadas pelo mal de Chagas no continente americano, e cerca de 100 milhões habitam áreas onde o vive barbeiro, e portanto estão em risco de contrair a doença.
EFE
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