A poluição do ar mata 800 mil pessoas anualmente, segundo um estudo do Banco Mundial sobre os efeitos da deterioração do meio ambiente apresentado hoje.
O documento, chamado de "O meio ambiente importa", afirma também que cerca de um quinto das doenças dos países em desenvolvimento podem ser atribuídas a problemas ambientais como falta de água potável e poluição do ar, e que os problemas ecológicos atingem sobretudo os mais pobres e as crianças.
Em relação a estes últimos, o estudo destaca que cerca de 117 milhões de crianças vivem na pobreza na América Latina e no Caribe, a maioria delas em áreas que carecem de infra-estrutura básica.
Essas carências aumentam sua vulnerabilidade diante de doenças respiratórias e diarréias, que estão entre as principais causas de mortalidade entre os menores de cinco anos na América Latina.
O estudo afirma que há um "forte vínculo" entre o meio ambiente e a saúde, uma ligação que as pessoas tendem a esquecer porque, segundo destacou hoje o cientista da Universidade de Harvard Eric Chivian, o ser humano está "cada vez mais desligado do mundo natural".
O diretor do Centro para a Saúde e meio Ambiente Global da Universidade de Medicina de Harvard destacou que esse "fracasso fundamental" na hora de entender que a saúde e a vida do ser humano dependem da saúde do planeta é o problema mais importante que a humanidade enfrentará nos próximos anos.
O não reconhecimento da urgência da situação põe em risco a existência de espécies e ecossistemas que são fundamentais na obtenção de remédios, segundo Chivian.
O especialista citou animais em perigo de extinção como os ursos polares e os ursos negros, que são capazes de hibernar entre três e sete meses por ano sem perder massa óssea.
A compreensão deste processo poderia ajudar a encontrar soluções de problemas como a osteoporose e disfunções renais, já que os ursos não urinam nem defecam durante os longos meses de hibernação.
Por sua parte, Warren Evans, diretor do Departamento de Meio ambiente do Banco, afirmou que "é momento de atuar".
Evans se mostrou esperançoso pelo apoio coletivo que os países industrializados deram durante a cúpula do G8 em julho a um projeto de desenvolvimento sustentável em benefício dos mais pobres.
Segundo o diretor, existe uma consciência internacional cada vez maior sobre a necessidade de impulsionar um meio ambiente saudável para as gerações presentes e futuras.
Chivian também pediu a ação pelo bem-estar de todas as crianças do futuro, para que não se transformem em vítimas da indecisão e da falta de visão.
EFE
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