Estudos precedentes já mostravam maior atividade do córtex pré-frontal, a parte do cérebro que permite sentir remorso ou aprender a se comportar moralmente, quando pessoas comuns mentem.
Os resultados, os "primeiros" que mostraram uma diferença "estrutural", serão publicados em outubro pela revista British Journal of Psychiatry.
A pesquisa foi conduzida com 108 voluntários, sendo 12 mentirosos (11 homens, uma mulher), 16 apresentando uma "personalidade anti-social" mas sem pregar mentiras patológicas (15 homens, uma mulher), e 21 (15 homens, 6 mulheres) pessoas ditas normais.
Os pesquisadores constataram variações de repartição entre a massa cinzenta e a branca do cérebro: os mentirosos patológicos têm 25,7% a mais de substância branca no córtex pré-frontal que os "anti-sociais", e 22% a mais que os "normais".
O estudo comprovou que os mentirosos patológicos têm menos massa cinzenta no cérebro que as pessoas normais (-14,2%). "Mentir exige muitos esforços", explica Adrian Raine, para quem a presença de mais substância branca poderia fornecer aos mentirosos as ferramenteas necessárias à arte complexa da manipulação.
Entretanto, os cientistas se depararam com uma controvérsia: as crianças autistas têm mais dificuldades para mentir, e também apresentam menos matéria branca no cérebro. Mas explicaram a situação afirmando que o autismo é complexo e não pode ser tomado como modelo no âmbito na mentira.
Os resultados também apontaram que o córtex pré-frontal do cérebro tem uma influência direta na capacidade de manipulação.
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