Segundo o jornal Times, o transplante usará a pele retirada de cadáveres, mortos até 6 horas atrás, incluindo a epiderme, gordura, nervos e vasos sangüíneos da região. No procedimento que deve durar cerca de 10 horas, a pele do rosto do paciente será retirada e o novo tecido será ligado aos seus nervos e vasos sangüíneos.
A equipe da cirurgiã Maria Siemionow está analisando 12 candidatos ao transplante, cinco homens e sete mulheres, todos severamente desfigurados. A médica afirma que há apenas 50% de chance de sucesso na cirurgia e que o paciente precisa saber que poderá ficar até pior caso a intervenção registre problemas, como a rejeição da nova pele. O formulário de consentimento da operação deixa claro que não há garantia que os pacientes conseguirão ter um rosto normal.
Nas entrevistas que selecionarão o transplantado, Maria Siemionow submeterá os pacientes a testes psicológicos. A médica explica que o recebedor do transplante não corre o risco de ter um rosto semelhante ao do doador, pois a estrutura óssea continuará a mesma.
A nova cirurgia provocou críticas por parte de alguns médicos, que alegam que as desfigurações não oferecem risco à vida, logo não haveria uma justificativa para a ingestão de drogas para evitar a rejeição dos novos tecidos, o que pode diminuir o tempo de vida dos pacientes. Maria Siemionow e outros médicos, entretanto, argumentam que a desfiguração causa em muitos pacientes depressão e vergonha. "Muitos desses pacientes não saem de casa", afirma ela ao Times.
A cirurgia promete permitir aos pacientes comer, beber e comunicar-se novamente através da ampla gama de expressões faciais que a maioria das pessoas tem acesso.
A Clínica Cleveland é a primeira a receber permissão para realizar o transplante facial. O laboratório de pesquisa em cirurgia plástica da Universidade de Louisville também está buscando autorização para realizar dez transplantes em vítimas de queimaduras.
Segundo o jornal Times, tecnicamente uma microcirurgia envolvendo um transplante facial foi realizada em 1999 quando a Universidade de Louisville realizouo primeiro transplante de mão dos EUA.
Redação Terra