Clonagem

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Quinta, 4 de agosto de 2005, 12h20

Clonagem de cão cria polêmica ética para cientistas

O sul-coreano Woo-Suk Hwang atingiu o auge das pesquisas com clonagem e células-tronco, mas críticos dizem que ele levou a ciência para um despenhadeiro e estão preocupados com os limites da interferência sobre a vida.

Na quarta-feira, Hwang era todo sorrisos ao vestir seu avental e brincar com o afghan hound Snuppy, o primeiro cão clonado do mundo, que ele ajudou a criar.

O nome do cachorro é uma abreviatura da Universidade Nacional de Seul, onde o laboratório de Hwang produziu resultados que colocaram sua equipe na linha de frente da tecnologia de clonagem e células-tronco.

Por causa do seu ciclo reprodutivo, os cães são considerados um dos animais mais difíceis de serem clonados.

Em maio, a equipe de Hwang foi notícia por ter cumprido uma das promessas básicas da pesquisa com células-tronco: retirar um pedaço de pele de um paciente e desenvolver células-tronco com o material genético específico dele.

Graças a isso, Hwang virou herói nacional na Coréia do Sul, onde o governo gastará 43 milhões de dólares para construir novos laboratórios para o cientista e ajudá-lo a criar um banco mundial de células-tronco.

O governo também encomendou selos comemorando suas descobertas. Eles mostram um óvulo humano, um homem em cadeira-de-rodas e esse mesmo homem levantando-se, caminhando e abraçando uma mulher em pé.

Hwang diz não estar clonando embriões humanos, e sim usando óvulos recolhidos de mulheres e fundindo-os com outro material genético para criar células que nunca poderão resultar em bebês.

"Rejeito firmemente o termo clonagem humana", disse Hwang à Reuters em maio. "Esta é uma atividade científica chamada transferência somática nuclear, e de forma alguma envolve o processo fisiológico de fertilização de óvulos por esperma."

Muitos criticam o trabalho de Hwang. O presidente norte-americano, George W. Bush, se diz "preocupado com um mundo no qual a clonagem se torne aceitável" e proibiu o uso de verbas federais em pesquisas com células-tronco. A Igreja Católica também vê a atividade com restrições.

Lee Chang-young, membro da Comissão de Bioética da Conferência Episcopal da Coréia, disse que o uso de óvulos doados por mulheres é uma afronta à cultura da vida. "Peço ao doutor Hwang que se concentre na pesquisa com células-tronco ao invés dos estudos com embriões que envolvam óvulos humanos", disse ele à Reuters. "Quanto mais animais forem clonados, mais possibilidades há de criar um humano clonado."

A Coréia do Sul proíbe oficialmente a clonagem humana, posição que Hwang apóia.

Mas o país quer se tornar o centro mundial da clonagem terapêutica, técnica que envolve a criação de embriões que fornecem células-tronco para pesquisa ou terapias para doenças variadas, como Parkinson e diabetes.

Embora a Coréia do Sul seja um dos países com mais população cristã da Ásia, o voto dos conservadores cristãos não é um fator importante nas eleições, como acontece, por exemplo, em algumas áreas dos Estados Unidos.

As células-tronco contêm o "manual de instruções" do organismo e podem ser estimuladas a desenvolverem qualquer tecido do corpo.

Hwang disse que a criação de Snuppy ¿ com 1.095 embriões reconstruídos sendo implantados em 123 "mães de aluguel", dos quais saíram dois filhotes vivos ¿ mostra a dificuldade de realizar a clonagem reprodutiva.

Ele disse que a taxa de eficiência é de apenas 1,6 por cento, e que o outro cão clonado morreu de pneumonia 22 dias após nascer.

Gerald Schatten, geneticista da Universidade de Pittsburgh (EUA) que participou da equipe que criou Snuppy, disse que os custos éticos e morais de produzir um clone humano são altos demais. "Propomos a proibição mundial da clonagem reprodutiva humana, que é antiética", disse ele em entrevista coletiva com Hwang na quarta-feira.

(Reportagem adicional de Kim Yoo-chul)

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