Seca obriga governo francês a expandir racionamento de água

11 de julho de 2005 • 14h17 • atualizado às 14h17

David Evans

Paris


A França estendeu o racionamento de água na segunda-feira para mais de metade do país, devido à forte seca que já levou o caos à Espanha e a Portugal e que atinge do Marrocos à capital francesa.

Entre as medidas tomadas pelo governo francês estão a proibição de lavar carros e encher piscinas e a redução da irrigação. As providências agora estão em vigor em 50 dos 96 departamentos da França continental.

Quem descumprir a medida estará sujeito a uma multa de 1.500 euros.

"A seca que a França vem presenciando desde setembro foi reforçada pela onda de calor do fim de junho", disse o boletim no Ministério do Meio Ambiente publicado na segunda-feira. "A seca está afetando grande parte do país".

Nas regiões turísticas do sul da Espanha e de Portugal, onde a seca é a pior desde o início dos registros, em 1940, estão sendo perfurados poços artesianos de emergência.

Em Portugal, 39 cidades, com cerca de 22 mil habitantes no total, estão recebendo água de caminhões-pipa, porque os reservatórios de água secaram, afirmou o Instituto da Água. Outras 15 cidades, com 25 mil habitantes, estão com o fornecimento reduzido.

Os danos ambientais são enormes — os peixes estão morrendo nos rios secos e, numa região da Espanha, até 80 milhões de árvores estão ameaçadas.

Com a nova onda de calor na França na segunda-feira, o ministério advertiu sobre o alto risco de incêndios florestais e da interrupção do abastecimento de água doméstico.

Quase 10 mil pessoas foram retiradas de áreas de acampamento no sul da França, na semana passada, por causa de um incêndio que destruiu 1.000 hectares de pinheiros próximo ao resort de Frejus.

A seca também está causando o aumento de incêndios florestais em Portugal, e quase 400 bombeiros combatiam 25 focos de incêndio apenas em torno da cidade do Porto, disse o Serviço Nacional de Defesa Civil.

Mas a ministra do Meio Ambiente francesa, Nelly Olin, disse que, devido ao aprimoramento da distribuição nacional de água, a situação de 1976, quando faltou água em várias áreas do país, não se repetirá.

Os agricultores também prevêem grandes prejuízos. As safras de Espanha e Portugal caíram a menos da metade, e a União Européia concordou em transferir grãos da Europa central para a região ibérica, um fato inédito.

Na Espanha, entidades agrícolas prevêem perdas de 1,8 bilhão de euros, e há quem diga que os produtores vão acabar abandonando as terras.

A seca também contribuiu para que Marrocos reduzisse a previsão de crescimento econômico deste ano de 3,5 por cento para apenas 1,3 por cento.

Espanha e Marrocos estão gastando milhões de euros para ajudar os agricultores. Na França, a safra de milho do sudoeste do país está ameaçada. A colheita de trigo já está em andamento, mas a do milho, que precisa de mais irrigação, só começa em setembro. Segundo a associação de produtores AGPM, a safra pode ficar 30 por cento menor.

A ministra descartou a repetição da taxa da seca, imposta em 1976 para compensar as perdas dos agricultores. "Compreendo a preocupação deles. Mas o que tenho a dizer a eles é que a única solução é fechar parte das torneiras de irrigação", disse ela.

(Reportagem adicional das sucursais de Lisboa e Madri)

Reuters - Reuters Limited - todos os direitos reservados. Clique aqui para limitações e restrições ao uso.
 
Enviar para amigos
Fechar por:
Enviar para amigos
Fechar por:

Imprimir

Fechar
Mais vistos

Notícias

  1. Carregando...
leia mais notícias »