O momento do choque entre o projétil e o cometa |
O espetacular choque a 134 milhões de quilômetros da Terra liberou um jato de material abaixo da superfície do cometa. Esse material foi formado há bilhões de anos, durante a criação do Sistema Solar. É a primeira vez que uma sonda entra em contato com o núcleo de um cometa.
"Acertamos exatamente no lugar em que tínhamos planejado. Isto é espetacular. Agora esperamos receber mais imagens do que ocorreu"", disse um porta-voz da missão. O projétil, chamado Impactador, continuou transmitindo fotografias do núcleo até os últimos segundos antes da colisão, apesar de começar a receber impactos de materiais na órbita do cometa. As imagens feitas mostram o núcleo do cometa com um detalhamento inédito. Várias crateras circulares aparecem. Ainda não se conhece o tamanho do buraco aberto pelo impactador, que era revestido com cobre. Pode ter a área de um casarão ou até de um estádio de futebol.
A sonda Impacto Profundo, considerada nave-mãe, gravou a operação a apenas 500 quilômetros e sobreviveu ilesa à colisão, segundo os cientistas. O projétil se desintegrou com a colisão. Uma imagem da colisão, feita pela nave-mãe, mostrou uma erupção brilhante saindo da parte de baixo do cometa, que tem a forma de um abacate. O projétil foi liberado pela sonda Impacto Profundo 24 horas antes.
Segundo Mike A'Hearn, cientista-chefe da missão, levará meses para que todos os dados coletados pela sonda sejam analisados. Três horas após o impacto, apenas 10% dos dados haviam chegado à Terra. "Basicamente estamos começando o nosso trabalho agora", disse ele a jornalistas durante a madrugada.
Os cometas são feitos de gás, poeira e gelo das regiões mais remotas do Sistema Solar. Eles às vezes têm surtos de atividades, quando sua superfície racha e libera o material que cria caudas de poeira. Os cientistas acham que o choque de um ou mais cometas introduziu a água na Terra.
Os especialistas discordam sobre a densidade que o núcleo dos cometas pode ter, mas o tamanho da colisão de segunda-feira parece descartar uma composição mais porosa, que amorteceria o impacto da sonda, segundo A'Hearn.
Redação Terra