OMS: médicos devem ser exemplo contra o tabagismo

30 de maio de 2005 • 13h02 • atualizado às 13h02

O diretor da Organização Mundial da Saúde (OMS) pediu que médicos e outros profissionais da área da saúde parem de fumar, afirmando que eles devem dar o exemplo na luta contra doenças e mortes causadas pelo tabagismo.

"O tabagismo continua sendo uma das principais causas de morte ao nível local, com cerca de cinco milhões de óbitos ao ano", disse o diretor-geral da OMS, Lee Jong-wook.

"A comunidade sanitária desempenha um papel no esforço global para combater esta epidemia", disse Lee em uma declaração emitida na véspera do Dia Mundial sem Tabaco.

"Profissionais da área da saúde estão na linha de frente. Eles precisam ter a habilidade de ajudar as pessoas a pararem de fumar e precisam dar o exemplo e abandonar o cigarro eles mesmos", acrescentou.

Segundo a OMS, as doenças relacionadas com o tabagismo matam uma pessoa a cada seis segundos e meio e o número de mortes ao ano deve dobrar para 10 milhões até 2020, com a maioria das vítimas localizadas nos países em desenvolvimento.

Segundo a agência da ONU, de acordo com os números atuais, o número de fumantes no mundo subirá dos 1,3 bilhão atuais para 1,7 bilhão até 2025.

Profissionais sanitários, entre os quais médicos, dentistas, farmacêuticos, enfermeiras e parteiras podem ser a chave para ajudar as pessoas a mudarem seus hábitos, destacou a organização.

Estudos mostram que o aconselhamento de profissionais de saúde pode aumentar as taxas de abandono do fumo em até 50%. No entanto, as pesquisas também mostram que poucos profissionais realmente recebem qualquer treinamento para ajudá-las a abandonar o tabaco.

Além disso, segundo a OMS, o fumo entre a comunidade médica representa uma barreira nas campanhas antitabagistas.

Um estudo da OMS revelou que sete de cada 10 países registraram uma prevalência de fumantes entre profissionais de saúde superior a 20%.

Este percentual varia entre 0,5% e 47%, sendo o menor registrado entre estudantes de enfermagem em Uganda e o maior entre estudantes de farmácia na Albânia.

No ano passado, 168 governos concluíram um tratado de controle do tabaco depois de anos de negociações patrocinados pela OMS. O tratado, o primeiro acordo sanitário ao nível global, entrará em vigor em fevereiro.

Conhecido oficialmente como Convenção da Estrutura sobre o Controle do Fumo (Framework Convention on Tobacco Control), o tratado defende a proibição da propaganda e do patrocínio de empresas de tabaco, além da venda de cigarro a menores de idade.

O documento inclui ainda restrições ao fumo em locais públicos, maiores alertas sanitários nos maços de cigarro e promove a taxação como forma de reduzir o consumo e combater o contrabando.

O tratado enfrentou a forte oposição de multinacionais produtoras de cigarros, bem como de governos com importantes indústrias e fazendas de tabaco.

Mas as gigantes produtoras de cigarro aceitaram algumas de suas determinações, entre as quais a adoção de alertas sanitários nos maços e medidas de combate ao contrabando, enquanto ainda expressam sua preocupação sobre a elevação de taxas.

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