Maldição segue arqueólogo que achou Tutancâmon

11 de março de 2005 • 17h01 • atualizado às 17h01

A morte de Tutancâmon continua sendo um mistério para os especialistas que analisaram novamente a múmia, mas uma coisa é certa: a maldição persegue até hoje o arqueólogo britânico Howard Carter, que descobriu o famoso sarcófago real em 1922.

"A única e verdadeira maldição dos faraós era a cobiça de Howard Carter", declarou Sabri Abdelaziz, chefe do departamento de antiguidades faraônicas do Conselho Superior de Antiguidades Egípcias, que responsabiliza o arqueólogo britânico de ter danificado a múmia real.

Depois de dedicar dez anos de sua vida, no Vale dos Reis, ao tirar do túmulo de Tutancâmon seu fabuloso tesouro, Carter morreu em 1939 em circunstâncias misteriosas, antes de terminar seu trabalho. A lenda popular atribui sua morte à "maldição dos faraós", que castigariam todas as pessoas que abrissem suas tumbas.

O arqueólogo egípcio acusa Carter de ter "saqueado a tumba de Tutancâmon, de ter usado barras de ferro quentes para arrancar a famosa máscara funerária de ouro, atualmente exposta no Museu do Cairo, e de ter maltratado a múmia", que tem várias rachaduras.

Um scanner da múmia feito nas últimas semanas revelou que o rei-menino não morreu assassinado, mas os pesquisadores não conseguiram descobrir a causa de sua morte, segundo o secretário-geral do Conselho, Zahi Hawass. "Os cientistas não encontraram nenhuma prova de que Tutancâmon tenha sido assassinado, nem de que o teriam golpeado na cabeça para matá-lo", indicou terça-feira em um comunicado.

Quando foi encontrado, o faraó repousava em três ataúdes um do lado do outro, um deles em ouro maciço, que vai ser restaurado. Depois de passar-lhe o scanner, os especialistas decidiram conservar a múmia em sua tumba no Vale dos Reis, equipando o sarcófago com instrumentos que controlarão a temperatura e a umidade para evitar novos desgastes.

O sarcófago de Tutancâmon, que reinou durante uma década há 3,3 mil anos e é considerado o 12º faraó da 18ª dinastia do Egito, foi aberto quatro vezes depois de sua descoberta, em 1922, por Carter: em 1925 pelo arqueólogo britânico, depois em 1969 e 1986 para exames com Raio X, e finalmente, em 2005, para uma análise com scanner. Nesta ocasião, uma equipe de radiologistas fez uma primeira foto digital de síntese do rosto do jovem rei.

"Assim, pela primeira vez desde que sua tumba foi aberta, foi feito um retrato do faraó com grande precisão", segundo Abdelaziz. "O material estudado prova que Tutancâmon não foi assassinado e que as fraturas encontradas na múmia são, primeiro, da responsabilidade de Carter e, depois, dos profissionais que a embalsamaram", segundo a perícia.

O relatório descarta as hipóteses de envenenamento do rei-menino e de assassinato com um golpe na cabeça. "Ambas hipóteses são falsas", destacou.

A hipótese de assassinato surgiu pelo fato de Tutancâmon ter sido o último faraó da 18ª dinastia. Após sua morte, ele foi substituído pelo grande sacerdote Aye, e depois pelo chefe militar Horemheb, que, após 26 anos de reinado, cedeu a seu vizir Ramsés.

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