Câmara deve votar lei que permite pesquisas com células-tronco

02 de março de 2005 • 11h24 • atualizado às 11h24

O presidente da Câmara, deputado Severino Cavalcanti (PP-PE), garantiu que colocará em votação nesta quarta-feira o projeto de lei de Biossegurança, que disciplina o plantio de sementes geneticamente modificadas e a pesquisa com células-tronco no país. Como a votação não ocorreu ontem, Severino Cavalcanti conversou com parlamentares, cientistas e religiosos sobre as pesquisas com células-tronco.

Ao mesmo tempo, mais de cem familiares e portadores de deficiências que podem se beneficiar com as pesquisas fizeram manifestações no Salão Verde da Câmara pedindo a aprovação da matéria. Jovens contrários às pesquisas com células embrionárias também aproveitaram para se manifestar.

O secretário-geral da Conferência Nacional dos Bisposdo Brasil (CNBB), Odilo Scherer, foi um dos primeiros a ser recebido pelo presidente da Câmara. A Igreja Católica condena as pesquisas com células-tronco embrionárias. "Somos a favor da vida. Nos preocupamos que a vida possa ser respeitada plenamente, no primeiro instante da sua existência. Isso é, desde a fecundação", afirmou. Segundo o secretário da CNBB, o presidente da Câmara também está preocupado com a questão, mas garantiu que vai cumprir o regimento e colocar a matéria em votação.

A bancada evangélica, por outro lado, ainda não fechou questão sobre as células-tronco embrionárias. Embora a maioria seja contrária às pesquisas, os 16 parlamentares que fazem parte da Igreja Universal do Reino de Deus decidiram votar a favor da lei de Biossegurança. "A frente evangélica é contra, mas não representa a maioria dos evangélicos. Impedir essas pesquisas é ser contrário à vida. A frente rachou", disse o deputado Jorge Pinheiro (PL-DF).

O projeto de lei de Biossegurança aprovado pelo Senado permite os estudos científicos de células-tronco embrionárias humanas sob certas condições. Os embriões têm que ser produzidos por fertilização in vitro e só podem ser utilizados depois de congelados por pelo menos três anos ou se forem inviáveis para a implantação no útero. Como foi modificado, o projeto voltou para a Câmara para ser reavaliado.

Agência Brasil
 
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