Pfizer diz que forneceu dados sobre o Celebra

01 de fevereiro de 2005 • 23h04 • atualizado às 23h04

A fabricande de medicamentos Pfizer insiste que forneceu informações adequadas sobre seu remédio Celebra às autoridades competentes dos Estados Unidos depois de uma ONG acusá-la de esconder dados sobre riscos do tratamento com esse medicamento em alguns pacientes. O laboratório farmacêutico ressaltou em comunicado que "atuou de forma responsável ao compartilhar toda a informação apropriada com a Agência para os Alimentos e Remédios (FDA)".

A Pfizer rejeitou ainda as recentes acusações do grupo Public Citizen de que escondeu informação relativa a um estudo realizado em 1999 sobre o tratamento de pacientes de Alzheimer com Celebra, um antiinflamatório que é usado contra artrite e dor. O médico Sidney Wolfe, diretor de pesquisa em temas de saúde dessa ONG, reiterou na segunda-feira em carta às autoridades a necessidade de retirar do mercado o remédio e um similar chamado Bextra por causa do suposto aumento no risco de problemas cardiovasculares para pacientes.

A Pfizer afirmou que o estudo em questão foi supervisado por uma comissão independente de especialistas e que um resumo dos resultados foi apresentado num congresso científico em 2000 e o relatório completo enviado à FDA em junho do ano seguinte. O estudo, que foi realizado durante 12 meses, tentava determinar se o tratamento com Celebra poderia frear a progressão do mal de Alzheimer.

Um grupo de pacientes foi tratado com esse remédio e outro com um placebo e no primeiro caso foi detectado uma maior ocorrência de problemas cardiovasculares e de mortes. No entanto, a companhia ressalta que o histórico médico dos pacientes tratados com Celebrex era muito variado e que havia entre eles mais pacientes com hipertensão, diabetes ou submetidos a uma cirurgia de marcapasso do que no grupo a que foi administrado placebo.

Joseph Feczko, presidente de desenvolvimento da empresa farmacêutica, ressaltou que o uso que a Public Citizen faz dos dados é "enganoso e injusto". Wolfe afirmava em sua carta a Lester Crawford, atual diretor da FDA, que os dados agora divulgados sobre aquele estudo mostravam um aumento significativo dos problemas cardiovasculares e na taxa de mortes nos pacientes tratados com o antiinflamatório, em comparação ao grupo tratado com um placebo.

"Já que foram dadas 36 milhões de receitas nos EUA para Celebra e Bextra no ano passado - cerca de três milhões por mês - a FDA deve agir imediatamente para proteger o público destes perigosos remédios e retirá-los do mercado", pediu a organização. Esses dois remédios são inibidores da enzima COX-2 e a investigação sobre eles aumentou depois que outro similar, o Vioxx, foi retirado do mercado pela companhia fabricante Merck após detectar que ele podia aumentar o risco de ataques do coração em pacientes.

Um comitê assessor da FDA iniciará em meados deste mês uma ampla avaliação dos riscos e benefícios de todos os remédios inibidores da COX-2. A Pfizer assegura que fez uma ampla análise dos dados relativos a seus remédios e que coopera com as autoridades reguladoras em nível mundial.

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