Egiptólogo acredita que maldição ronde Tutancâmon

07 de janeiro de 2005 • 21h05 • atualizado às 21h05
A múmia foi retirada temporariamente de seu túmulo em Luxor para passar por tomografia. Foto: AP
A múmia foi retirada temporariamente de seu túmulo em Luxor para passar por tomografia.
06 de janeiro de 2005
Foto: AP

O egiptólogo Zahi Hawass, que supervisionou a primeira tomografia computadorizada da múmia do faraó Tutancâmon esta semana, disse que a experiência indicou que não se deve desacreditar totalmente a lendária "maldição da múmia". A tomografia computadorizada produziu imagens tridimensionais dos restos mortais do jovem faraó.

"Não posso descartar a lenda da maldição porque hoje muita coisa aconteceu. Quase sofremos um acidente de carro, houve um forte vento no vale dos Reis e o computador da tomografia computadorizada ficou totalmente paralisado por duas horas", disse Hawass em declarações gravadas em vídeo e divulgadas hoje por seu escritório.

Uma equipe egípcia realizou a tomografia no vale dos Reis, próximo à cidade de Luxor, na noite de quarta-feira passada, na tentativa de descobrir a causa da morte de Tutancâmon - um dos maiores mistérios do Egito antigo. Levará cerca de três semanas para que os especialistas analisem as imagens.

Foi apenas a quarta vez que o corpo mumificado do rei foi examinado em detalhes desde sua sensacional descoberta, em 1922, numa tumba intacta no vale, pelo arqueólogo Howard Carter. A última vez que os arqueólogos tinham aberto o caixão fora em 1968, quando um raio X revelou um fragmento de osso dentro do crânio. Isso alimentou a especulação de que uma pancada na cabeça matou o rei. Os maiores suspeitos são seu principal sacerdote e o comandante do Exército.

Tutancâmon governou durante um período conturbado da história egípcia, que começou pouco depois da morte do faraó monoteísta herege Aquenáton, em 1362 a.C. Ele pode ter sido seu pai. Tutancâmon morreu no fim da adolescência. O mistério cerca o jovem faraó desde 1922. O lorde Carnarvon, patrocinador de Carter e um dos primeiros a entrar na tumba, morreu pouco tempo depois por causa de uma picada de inseto.

Jornais da época disseram que Carter havia liberado uma maldição faraônica, que matou Carnarvon e outras pessoas ligadas à descoberta.

No passado, cientistas sugeriram que uma doença em estado dormente na tumba poderia ter matado o aristocrata britânico.

Hawass, presidente do Conselho Supremo para Antiguidades do Egito, disse que a múmia está em condições muito precárias por causa das ferramentas que Carter usou para retirar a máscara dourada, um dos mais famosos tesouros da tumba. A múmia permaneceu na tumba, mas todos os objetos funerários foram levados para o Museu Egípcio, no Cairo. "A múmia precisa ser preservada. Temos de manter a temperatura estável dentro do sarcófago, e também devolver a máscara dourada", disse Hawass.

Hawass, conhecido no mundo todo por sua participação em documentários de TV sobre o Egito antigo, já havia falado de experiências estranhas durante a escavação de tumbas ou a retirada de múmias de sarcófagos. "Acho que ainda devemos acreditar na maldição da múmia", disse ele sobre Tutancâmon.

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