Maria Aparecida Lemos, 49 anos, se considera hoje uma ativista. Professora aposentada, Cida, como é chamada, mora no Rio de Janeiro, mas viaja pelo Estado, o Brasil e até outros países para conscientizar, educar e ajudar a conter a expansão da aids.
Ela descobriu ser portadora do vírus HIV em 2000. Estava doente, mas diversos exames não apontavam o diagnóstico correto. "Eu tinha febre alta, falta de ar, erupções na pele. Primeiro, disseram que era estresse, depois, febre reumática. Eu tinha 80 quilos, parceiro fixo. Somente depois de muito tempo os médicos me pediram o exame anti-HIV", conta. "Quando veio resultado positivo, foi terrível", afirma.
Além de vencer o preconceito de amigos e até mesmo de familiares, conta, Cida teve de enfrentar outro problema. Em decorrência da baixa imunidade, a professora ficou cega em meados de 2001. "Entrei em depressão profunda. Ou eu ficava no buraco, ou saía. Eu decidi sair, e hoje, dentro de minhas limitações, sei que posso fazer muito por mim e pela sociedade", diz.
Cida coordenada o Movimento Cidadã Posithiva no Estado do Rio. "Cumpro, de certa forma, minha função como educadora, dou palestras, converso, mostro um pouco da minha realidade", afirma. "Eu tenho recompensas. Nunca pensei em viajar a Brasília, por exemplo. Voltei a Nova York, cidade que havia conhecido em 1989", conta animada. "Eu quis mudar o rumo da minha vida e mudei", completa.