China corre contra o tempo para deter epidemia

30 de novembro de 2004 • 11h07 • atualizado às 11h07
Policiais lêem manual sobre como se prevenir contra a doença Foto: Reuters
Policiais lêem manual sobre como se prevenir contra a doença
30 de novembro de 2004
Foto: Reuters

Durante anos o governo chinês ignorou a aids. Ongs e organismos internacionais alertavam que tal política poderia transformar o gigante asiático em um paraíso para o HIV, que se espalharia rapidamente entre uma população desinformada. Agora, diante de números alarmantes - a Organização das Nações Unidas (ONU) calcula que o país pode ter 10 milhões de infectados até 2010 - a China corre contra o tempo para tentar deter a doença.

Cerca de 39,5 milhões de pessoas têm aids no mundo todo, das quais pelo menos 7 milhões vivem na região Ásia-Pacífico. Na China, entretanto, a maioria dos soropositivos não é conhecida pelas autoridades. Uma estimativa oficial registra 840 mil pessoas contaminadas pelo vírus HIV, 80 mil doentes vivos e 160 mil mortes relacionados com a epidemia desde o primeiro caso descoberto no país em 1985. Especialistas afirmam, entretanto, que estes números são maquiados pelo governo e que a cifra real pode passar muito do 1 milhão de pessoas vivendo com o vírus.

Além disso, 70% dos afetados vivem em áreas rurais, com poucas ou nulas instalações sanitárias, o que dificulta as medidas de controle da doença. Segundo as próprias autoridades, quatro províncias - as sulinas Yunnan, Guangxi e Cantão, e a nortista Xinjiang - enfrentam uma "grave" situação pela incidência da aids entre sua população. Nestas regiões, foram registrados casos em 90% dos condados e médicos chineses afirmam que o número de soropositivos no país aumenta a taxas que podem chegar a 40% ao ano.

Pequim também tem outro problema: a diversidade da epidemia. Com uma população de mais de 1 bilhão de pessoas, a China tem que tentar conter o avanço da doença entre homossexuais, heterossexuais, usuários de drogas injetáveis e profissionais do sexo. Sem nunca ter investido em informação e prevenção, o governo nacional anunciou no ano passado que a via de contágio mais habitual é a intravenosa, mas que 90% dos novos casos se contagiaram em relações heterossexuais, das quais quase 20% foram dentro do casamento.

Uma nova política de Estado
Diante deste cenário, as autoridades chinesas iniciaram o primeiro estudo nacional sobre a aids para conhecer o alcance real da doença no país, empreenderam campanhas de educação em escolas e promoveram teste gratuitos. Além disto, o governo central anunciou em novembro que vai testar em humanos uma possível vacina contra o HIV e que acelerará a aprovação de novos remédios.
Redação Terra
 
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