Brasileiros conhecem aids, mas ainda se arriscam

30 de novembro de 2004 • 11h07 • atualizado às 11h07

Mais de duas décadas depois do início da epidemia de aids, os brasileiros conhecem bem a doença. Uma pesquisa divulgada no dia 23 de novembro pelo Ministério da Saúde mostra que 91% das pessoas sabem que a relação sexual é uma das formas de transmissão do HIV e 94% têm conhecimento de que o preservativo é um dos meios de prevenção. Mesmo assim, uma parcela considerável da população continua mantendo comportamentos de risco.

Entre as mulheres, por exemplo, há uma resistência contra a camisinha. Enquanto crescem os números de contaminações heterossexuais, apenas 44% das entrevistadas em um estudo do Ministério da Saúde já compraram preservativo e apenas 39% os têm em casa. Foram ouvidas 6 mil pessoas de 15 a 54 anos, em todo o País.

A mesma pesquisa mostra que o grupo que menos usa preservativo é o de pessoas com múltiplos parceiros e que, ao mesmo tempo, afirmam ter usado cocaína, pelo menos uma vez na vida. Entre este grupo também se revela um aumento do comportamento de risco entre os heterossexuais: 44% dos homossexuais afirmaram usar regularmente o preservativo, enquanto entre os homens que afirmam fazer sexo apenas com mulheres esse percentual é de 28%.

A epidemia no País
Estes comportamentos se revelam mais nitidamente quando se observa o novo perfil da doença no Brasil. De acordo com um relatório da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre a aids, a epidemia se espalhou por todas as regiões do País, com crescimento das transmissões por relações heterossexuais.

Com essa mudança, as mulheres são cada vez mais afetadas. De acordo com os especialistas, o número de contágios é maior entre as mulheres de baixa renda e pouca educação. "No início, a epidemia afetou principalmente homens que tinham relações sexuais com outros homens e depois os consumidores de drogas injetáveis. Mas agora a epidemia se tornou mais diversificada", afirma o texto.

Drogas injetáveis
O consumo de drogas injetáveis é um dos maiores responsáveis pela epidemia no País. Em algumas regiões do Brasil a transmissão do vírus HIV entre usuários de drogas representa pelo menos a metade dos casos de aids. Em 2003, por exemplo, o número de casos de contaminação entre usuários de drogas injetáveis em Porto Alegre representava 64% do número de casos na cidade.

Para a agência das Nações Unidas para a Aids (Unaids), neste caso Brasil precisa criar um modelo de atendimento a usuários para não comprometer o modelo de prevenção e tratamento implementado no País. "O Brasil está caminhando para a mesma encruzilhada em que a Tailândia se encontra. Você precisa olhar os usuários, criar uma forma para que não procurem o submundo para compartilhar uma seringa entre dez pessoas, porque estão com medo de procurar ajuda", alerta a vice-diretora-executiva da organização, Kathleen Cravero.

Redação Terra
 
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