Aids passa a incidir mais nas mulheres negras

23 de novembro de 2004 • 12h14 • atualizado às 12h14

Os homens brancos homossexuais deixaram de ser os mais contaminados pela aids, que agora incide principalmente nas mulheres africanas de raça negra, de acordo com o diretor do programa das Nações Unidas para a Aids (Unaids), Peter Piotm durante apresentação, em Bruxelas, de um relatório sobre a evolução dessa doença no mundo.

"É preciso atacar o centro da epidemia", o que significa continuar com as campanhas de prevenção. Mas, além disso, mostrar uma tolerância zero para a violência sexual, que Piot identificou como a principal causa do aumento de casos de aids entre a população feminina.

A educação pode ter um papel fundamental neste âmbito. Um dos objetivos é a escolarização das meninas e evitar o coito interrompido como medida para prevenir os contágios, acrescentou.

Segundo o documento da Unaids, cerca de 39,5 milhões de pessoas no mundo têm aids, frente aos 36,6 milhões de dois anos atrás. Dos aproximadamente 37,2 milhões de adultos (entre 15 e 49 anos) contaminados, cerca da metade são mulheres.

O maior aumento das contaminações nos últimos anos foi registrado no leste asiático (especialmente na China, Indonésia e Vietnã), nos países da Europa do Leste e da Ásia central. Na Europa oriental e nos Estados Unidos a aids segue crescendo entre a população heterossexual devido, sobretudo, ao aumento das relações sexuais sem proteção, indica o relatório.

Embora o panorama atual não seja o melhor, há alguns aspectos positivos na luta contra esta doença. Entre eles está o aumento dos países onde o número de infectados baixou, o forte compromisso político de muitos governos, e o crescimento dos fundos destinados a combater a epidemia, à qual este ano foram doados cerca de 6 bilhões de euros.

Por outro lado, o diretor do programa da ONU para a aids agradeceu à União Européia (UE), e em particular à Comissão Européia (órgão Executivo da UE), o esforço realizado para combater a doença, mas considerou que os Estados-membros podem fazer mais.

Piot mostrou sua satisfação pela nova estratégia do Executivo do bloco europeu para combater a aids, a malária e a tuberculose, respaldada hoje mesmo pelos ministros da UE, e que se completará com um plano de ação que a Comissão apresentará em abril.

O comissário europeu de Desenvolvimento, o belga Louis Michel, lembrou que a Comissão e os países-membros foram este ano os principais contribuintes ao fundo mundial contra a Aids, ao aportar cerca da metade de seu orçamento (2,4 dos 4,6 bilhões de euros).

Tanto Piot como Michel insistiram na necessidade de aumentar os esforços para permitir que o tratamento da doença, que neste momento só é destinado a um de cada dez afetados, possa ser ampliado ao máximo.

Piot disse que é necessário mais investimento em investigação e mostrou-se convencido de que a partir do próximo ano haverá um aumento da população que poderá ter acesso a estes tratamentos nos países em desenvolvimento.

Além disso, ambos incidiram no importante papel que o setor privado pode ter na luta contra esta doença. Piot deu como exemplo o caso da África do Sul, onde algumas grandes empresas foram as primeiras a oferecer tratamento a seus funcionários.

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