Wilkins, que obteve o Nobel de física e medicina em 1962, no mesmo ano que os descobridores da dupla hélice do DNA, Francis Crick e James Watson, morreu amparado por sua família depois de muitos anos dedicados à ciência.
A comunidade científica expressou seu pesar ante o falecimento do físico, que passou sete anos verificando a hipotética estrutura de dupla hélice do DNA construída por seus dois colegas.
Além disso, foram seus experimentos em cristalografía de Raios-X que possibilitaram o descobrimento de Crick e Watson. Wilkins, e depois Rosalind Franklin, demonstraram que os Raios-X podiam ser utilizados para investigar o DNA.
"Maurice Wilkins desempenhou um papel fundamental em um dos descobrimentos mais importantes da história", afirmou Adrian Hayday, professor de Imunobiologia no londrino King's College.
"O êxito de Watson e Crick na elucidação da estrutura do DNA é universalmente conhecido e reconhecido -acrescentou-. Mas sua dependência dos resultados experimentais conseguidos primeiro por Wilkins e depois por Franklin, é freqüentemente esquecida".
Nesta linha, se pronunciaram outros cientistas, que destacaram a modéstia de Wilkins e sua dedicação à ciência.
"Foi um cientista muito importante, que provavelmente não obteve o reconhecimento que merecia por descobrimentos que revolucionaram a ciência", disse Stephen Minger, professor de Ciências Biomédicas na universidade londrina.
Foi Wilkins que obteve pela primeira vez uma imagem de Raio-X do DNA, que ensinou Crick sobre o ácido desoxirribonucleico e quem inspirou Watson.
"Depois, também foi ele quem verificou que a estrutura de dupla hélice era correta", assinalou o cientista Matt Ridley.
Nascido em 1916, Wilkins estudou Física na Universidade de Cambridge, antes de mudar para a de Birmingham.
Durante a segunda Guerra Mundial, trabalhou na Universidade da Califórnia, onde participou do projeto "Manhattan" da bomba atômica.
Depois da guerra, foi professor de física na Universidade escocesa de Saint Andrews -onde estuda o príncipe William da Inglaterra- e em 1963 passou a ensinar na King's College de Londres, onde fez seus importantes experimentos e produziu imagens da forma da molécula do DNA.
O professor Francis Crick, que junto com Watson é celebrado como descobridor do chamado "segredo da vida", morreu de câncer em julho em San Diego, na Califórnia, também aos 88 anos.
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