Filhos de mães que fumam na gravidez têm mais dores de cabeça

16 de setembro de 2009 • 09h31 • atualizado às 10h40

Estudo inédito realizado pelo Instituto Glia (SP), de neurociência e educação, descobriu que filhos de mulheres que fumam durante a gravidez têm 2,5 vezes mais riscos de sofrer na infância com dores de cabeça diárias. O neuropediatra Marco Antônio Arruda queria analisar o efeito do cigarro em casos de Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH). Mas acabou descobrindo que quase 2% das 1.994 crianças pesquisadas sofria de cefaleia crônica.

O percentual pode parecer baixo, mas não é: cefaleia crônica na criança é caracterizada por dor intensa, que dura 15 dias seguidos. Por trás desses casos, estavam mães que fumaram na gravidez.

O que mais chamou a atenção foi o número de crianças que já sentiram alguma dor de cabeça: 80,9%. "Substâncias no cigarro interferem na formação de neurotransmissores do bebê que estão ligados à dor de cabeça", suspeita Arruda. Um dos neurotrasmissores seria o responsável pela serotonina. "A baixa produção desse hormônio predispõe à dor de cabeça", acrescenta.

Aos 32 anos, Sunny Anhon foi radical quando descobriu que estava grávida de Gabriela e largou o cigarro. "Não me arrependo. É difícil abandonar o vício, mas pela Gabriela vale qualquer esforço", conta.

A dor de cabeça se manifesta de diversas formas - vai desde a enxaqueca até dores tensionais. Em crianças, as crises de cefaleia duram cerca de uma hora. Quando a criança reclama de dor mais de três vezes ao mês, é hora de levar ao médico. O tratamento pode ser feito com analgésicos e remédios preventivos.

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