Médicos têm permissão para usar drogas de maneiras que não são especificamente aprovadas pela Food and Drug Administration, órgão regulador de alimentos e medicamentos dos EUA, uma prática chamada de prescrição fora da bula. Existe geralmente menos evidência científica para usos não aprovados e uma nova pesquisa entre médicos descobriu que muitos sequer sabem quando estão prescrevendo algo diferente da prescrição da bula.
Maioria dos médicos na pesquisa identificaram o status de aprovação da FDA corretamente para apenas metade das drogas em uma lista fornecida pelos pesquisadores, segundo um estudo de Farmacoepidemiologia e Segurança de Drogas.
A confusão foi maior com drogas psiquiátricas, descobriu a pesquisa, que entrevistou cerca de 600 médicos. Quase um em cinco médicos que prescreveram Seroquel (quetiapina) no ano anterior acreditava que o medicamento era aprovado para pacientes com demência e agitação, embora o mesmo nunca tenha sido aprovado para tal uso e carregue um alerta do perigo que representa a pacientes idosos com demência.
E um em cada três médicos que usaram lorazepam (vendido no Brasil com o nome de Lorax) para tratar ansiedade crônica acreditava que o medicamento era aprovado para tal uso; na verdade, o alerta da FDA desaconselha o uso da droga para tal propósito.
O autor sênior do estudo, doutor G. Caleb Alexander, professor-assistente de medicina da Universidade de Chicago, disse que a preocupação está no fato de que usos diferentes dos prescritos pela bula frequentemente não têm o mesmo nível de escrutínio científico que os usos aprovados pela FDA.
Tradução: Paulo Migliacci ME
The New York Times