Australiano cruza caverna submersa de 120 m sem respirar

26 de agosto de 2009 • 07h18 • atualizado às 09h24
Mike Wells, 39 anos, percorreu a Fish Rock Cave apenas com o ar dos pulmões em campanha para salvar um espécie de tubarão ameaçada Foto: BBC Brasil
Mike Wells, 39 anos, percorreu a Fish Rock Cave apenas com o ar dos pulmões em campanha para salvar um espécie de tubarão ameaçada
26 de agosto de 2009
Foto: BBC Brasil

Um mergulhador australiano da modalidade freedive (ou mergulho livre) atravessou a nado, pela primeira vez, a mais longa caverna oceânica da Austrália apenas com o oxigênio que reteve em seus pulmões, em campanha para salvar um espécie de tubarão ameaçada.

O australiano Mike Wells, 39 anos, percorreu os 120 m de comprimento da Fish Rock Cave, no sudeste da Austrália - uma abertura escura submersa - em apenas 2 minutos e 40 segundos. A caverna está a profundidades de 24 m a 14 m.

Wells é um profissional experiente, que mergulha há 19 anos. Ele disse que precisou treinar "o corpo e a mente" para cumprir a prova. "Condicionamento físico é chave para (controlar) a respiração e o uso de oxigênio pelo corpo, então eu ando de mountain bike e pratico surf quase todos os dias. Eu treino na piscina, com voltas alternadas de 100 m nado livre e de peito."

O mergulhador disse que também nada debaixo d'água e faz treinamento para alta tolerância de gás carbônico e baixa de oxigênio. Já a preparação mental inclui relaxamento. Ele enfrentou o desafio de atravessar a caverna submersa em apoio à campanha da Sociedade Australiana para a Preservação Marinha (AMCS, na sigla em inglês) para proteger locais como a Fish Rock Cave, que é um habitat importante para o tubarão-touro que, segundo a organização, está ameaçado de extinção.

Relaxamento
Wells teve que nadar no território desses animais ao cruzar a caverna, e manter-se calmo para fazer o oxigênio dos pulmões durar o maior tempo possível. O mergulhador contou: "Eu usei toda a minha força mental para ficar totalmente calmo enquanto respirava para o mergulho. Antes de mergulhar eu ensaiei mentalmente todos os estágios do mergulho. Quando eu inspirei o ar pela última vez, eu estava concentrado na caverna e nada mais."

"Eu ouvi meu batimento cardíaco ficar mais lento. Na medida em que a caverna ficou mais escura em comparação à entrada, eu relaxei ainda mais pois não havia muito estímulo visual. As criaturas que moram na caverna se tornaram o meu foco para nadar - tubarões, lagostas e tartarugas. Lá é lindo."

Mas Wells passou momentos de perigo. Ele disse que quando atravessava uma parte estreita da caverna a sua monofin (pé de pato especial) ficou presa na rocha e o outro mergulhador que o acompanhava por segurança, seu filho Jeremy, libertou-o em cerca de cinco segundos. Wells disse que recomenda a prática de freedive para quem gosta do oceano e respeita o mar.

Recomenda a quem quiser tentar feitos com o dele fazer um curso para a modalidade, obter as informações adequadas, aprender as técnicas de respiração. "Este esporte pode dar a você uma vida inteira de aventura. (A superfície) O planeta é composta por 71% de água, então vá lá e explore."

Mas o ousado mergulhador tem sempre a segurança em mente. Ele faz questão de aconselhar os aspirantes a freediving a nunca entrem na água sozinhos. "Sempre mergulhe com um amigo ou companheiros de mergulho - é muito importante lembrar isso."

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