Irmãs siamesas nascem unidas pelo coração em Goiânia

13 de agosto de 2009 • 11h07 • atualizado às 11h37

Márcio Leijoto

Direto de Goiânia


Duas irmãs siamesas unidas pelo tórax foram internadas na Unidade de Terapia Intensiva neonatal do Hospital Materno-Infantil (HMI), em Goiânia, na manhã de terça-feira. As duas nasceram no mesmo dia após 34 semanas de gestação e, segundo os médicos, compartilham o mesmo coração, que possui apenas um ventrículo, o que agrava bastante o quadro clínico. É o 12º caso de siameses em Goiás nos últimos 10 anos.

A mãe das meninas é de Rio Verde (GO), a 229 km de Goiânia, e seu caso não era acompanhado pelos médicos. De acordo com o cirurgião-pediátrico Zacarias Calil, que participou dos casos anteriores de nascimento de siameses, a mulher não sabia que as filhos estavam unidas até o momento do parto. "Parece que ela vem de uma família bem humilde, sem condições financeiras", comentou.

Por enquanto, o que mais preocupa a equipe do hospital é a prematuridade dos bebês. "É um caso bastante complicado, mas, por enquanto, elas estão reagindo. Primeiro temos de resolver a questão da prematuridade", disse Calil.

As irmãs, que ainda não têm nomes, nasceram pesando 1,1 kg cada uma. Ainda não se sabe se compartilham outros órgãos. "Cada uma possui todos os membros, inclusive duas genitálias, e são unidas pelo tórax. Um exame de ultrassom detectou apenas um coração", afirmou o cirurgião.

A separação é inviável, mas segundo o médico é possível que elas sobrevivam. Ele citou um caso de irmãos siameses nos EUA que compartilham o coração e hoje estão com 19 anos. Mas também lembrou do único caso em Goiás até então de irmãos com um coração, em Itumbiara, no sul do Estado. "Infelizmente, eles morreram com cinco dias de vida. A nossa única alternativa, neste caso, é tentar mantê-las vivas", disse

Calil diz que a incidência de casos de siameses em Goiás é alta (só fica atrás de Minas Gerais) e está ligada a questões ambientais, principalmente ao excessivo uso de agrotóxicos na agricultura. Apesar de não haver nenhum estudo ainda comprovando a ligação, o cirurgião disse que é um consenso na comunidade médica. O médico cita, como exemplo, o fato de todas as mães de siameses em Goiás serem moradores de áreas rurais do Estado.

"Em todas as regiões do mundo onde há essa alta incidência de siameses, médicos e cientistas constataram problemas com uso de agrotóxico ou material com os mesmos elementos. No Vietnã, quando os Estados Unidos atacou com agente laranja as plantações, houve inúmeros partos de siameses. O elemento químico desta bomba é o mesmo de muitos agrotóxicos", explicou.

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