Sequenciamento de genoma humano terá preço de carro

10 de agosto de 2009 • 14h19 • atualizado às 15h35

Sequenciar o genoma humano ficará cinco vezes mais barato, abaixo dos US$ 50, graças a uma nova técnica desenvolvida pela Universidade de Stanford, nos Estados Unidos, que publica nesta segunda-feira os resultados de sua pesquisa na revista Nature Biotechnology. Desde que em 2001 o genoma humano foi sequenciado num projeto de quase US$ 3 bilhões, seu custo não deixou de baixar. No ano passado custava US$ 250 mil.

"Uma tarefa que antes custava tanto quanto um Boeing 747 e que pedia uma equipe de pessoas que teria enchido o avião, agora não custa mais que o preço médio de um carro de luxo e não requer mais de duas pessoas", afirma o Centro Médico da Universidade de Stanford. "Esta etapa deve permitir importantes aplicações do sequenciamento do genoma para muitos campos da genética e da saúde humana", explicam os autores do estudo, Stephen Quake, Dmitry Pushkarev e Norma Neff.

A técnica que utilizaram se baseia no sequenciamento de uma única molécula de DNA contra milhares de cópias de DNA por pessoa e organismo vivo, que se utilizavam dos métodos mais antigos. Eles trabalharam com um instrumento do tamanho de um refrigerador, chamado SMS Heliscope e que é comercializado pela sociedade Helicos Biosciences, da qual o professor Quake é o co-fundador.

Os quase três bilhões de pares de base do DNA da molécula são recortados em milhões de fitas de 30 bases e colocadas em um recipiente especialmente tratado. As fitas são então "etiquetadas", cada uma com uma das letras A,C,G,T que compõem o DNA com a ajuda de um agente reativo fluorescente, antes de serem lidas por uma máquina.

O código genético se recompõe ao final do processo com a ajuda de potentes computadores, que comparam cada sequência a um modelo de referência, como em um quebra-cabeças que exige recorrer frequentemente à imagem completa que existe na tampa da caixa. O genoma resultante está completo em 95%, um nível comparável ao obtido pelos métodos mais caros, anunciaram os pesquisadores.

Ao utilizar essa nova técnica, por exemplo, o professor Quake descobriu que era portador de uma rara mutação genética associada a um problema cardíaco, mas que também é geneticamente predisposto a reagir bem às estatinas, um tipo de medicamento detinado a baixar o nível do colesterol.

Dessa maneira, o custo baixo do sequenciamento do genoma humano permitirá tratamentos mais individualizados e uma medicina preventiva mais eficaz, e deve diminuir ainda mais no futuro. A socieade Pacific Biosciences prevê que até 2013 será capaz de sequenciar o genoma individual em 15 minutos a um custo médio de US$ 1 mil.

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