Os biólogos deram um grande passo adiante para adotar um "código de barras" para cada espécie viva do planeta. Um banco de dados contendo códigos de barra de sequências genéticas permitiria identificar facilmente as espécies envolvidas em, por exemplo, embarques suspeitos de animais provenientes de áreas sob proteção ambiental. Descobrir o código de barras mais apropriado para animais foi um procedimento relativamente simples, mas o equivalente vegetal se provou bem mais problemático.
Agora os pesquisadores chegaram a um "acordo comunitário amplo" sobre dois genes que poderiam ser usados para o código de barras vegetal. A aprovação do acordo, delineado em estudo publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences, pode estimular grande número de estudos nesse ramo e também oferecer aos biólogos acesso a fundos provenientes de fontes que até o momento relutavam em bancar esse tipo de pesquisa porque os resultados poderiam se tornar ao menos em parte obsoletos com certa rapidez.
"Existe na comunidade científica um desejo muito claro de chegar a alguma forma de acordo", diz o biólogo Peter Hollingsworth, o autor do relatório e pesquisador do Real Jardim Botânico de Edimburgo, no Reino Unido.
Decifrando o código
Os autores do novo estudo são uma boa amostra dos cientistas interessados em estudos de códigos de barra, e a proposta compara sete diferentes regiões do ADN e determina sua adequação como identificadoras únicas para os vegetais. Os autores recomendam que o código de barras combine duas regiões, conhecidas como rbcL e matK.
Juntas, elas oferecem uma identificação única de 72% das espécies estadas e identificam o grupo de espécies correto para as amostras restantes. "O estudo captura a gama de grupos que vêm comparando diferentes regiões para código de código de barras", afirma Hollingsworth. "Representa um acordo para sequenciar os dois locais que formam o código de barras básico".
O novo estudo foi conduzido pelo grupo de trabalho sobre vegetais do Consórcio pelo Código de Barra da Vida, ou CBOL, uma iniciativa do Museu Smithsonian de História Natural, em Washington. O estudo forma a base do trabalho que o grupo submeterá ao comitê do CBOL, que organizará a revisão científica dos resultados.
O consórcio então chegará o mais rápido possível a uma decisão sobre que sequências genéticas deveriam ser usadas como código de barras padrão para a comunidade internacional.
"Estou confiante em que o estudo vai energizar seriamente a montagem de uma biblioteca de referência de códigos de barra para plantas", diz Paul Herbert, pesquisador da Universidade de Guelph, no Canadá, que no momento está estacionado na Estação Ártica Churchill, que a universidade mantém em Manitoba, onde ele está trabalhando para determinar os códigos de barra de todos os eucariotes do local. "Acredito que esse estudo resolva as discussões sobre os locais básicos do código de barras vegetais".
Herbert não é um dos autores do trabalho, mas está pesadamente envolvido em um projeto correlato, o Código de Barra da Vida Internacional, que iniciou sua "fase preliminar de ativação", de um ano de duração, no mês passado, e será lançado oficialmente em julho de 2010.
O dinheiro faz diferença
Uma decisão final, dizem estudiosos de campo, não só aceleraria o processo de definição quanto aos locais básicos do código de barras como facilitaria a obtenção de fundos pelos projetos relevantes.
"A falta de acordo vem sendo um obstáculos para a publicação de estudos e para a obtenção de verbas de pesquisa", disse David Schindel, secretário executivo do CBOL. "E um obstáculo muito significativo. Conheço diversas propostas encaminhadas a fundações que as rejeitaram alegando que estavam interessadas, mas que não havia como justificar apoio vultoso a algo que poderia envolver um palpite errado sobre os locais a serem escolhidos".
Ele afirmou que, desde que o grupo de trabalho sobre plantas do CBOL submeta sua recomendação nas próximas duas semanas, uma decisão definitiva deve acontecer nas seis semanas seguintes. A decisão final envolverá três possibilidades: a sugestão envolvendo dois locais básicos, oferecida pelo grupo de especialistas; uma sugestão de três locais; e uma sugestão que envolve dois locais e uma terceira região como "apólice de seguros".
"Eu diria que a primeira delas é a mais provável, mas não quero causar embaraços no processo", disse Schindel. Quando a decisão final chegar, afirmou, "as comportas se abrirão".
Tradução: Paulo Migliacci ME
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