Teia de aranha pode ser usada para produzir fio de sutura

24 de setembro de 2004 • 20h28 • atualizado às 20h28

Duas estudantes da Universidade de Veracruz, leste do México, chegaram à conclusão de que teias de aranha podem servir, devido a sua resistência e condições antimicrobianas, para elaborar fio para suturas.

As estudantes Alejandra Gómez Gómez e Zabdiel Domínguez Trinidad, das Faculdades de Engenharia Ambiental e Engenharia Química da Universidade de Veracruz, estudaram as propriedades da teia produzida pela aranha "Nephila maculata", que existe nas imediações de Coatepec, no centro do estado.

As cientistas assinalaram que, na região, as pessoas utilizam a teia de aranha como remédio para alguns ferimentos porque "coagula a hemorragia e cicatriza a ferida, fechando-a totalmente", indicaram em uma entrevista coletiva.

A teia, por suas propriedades, impede que micróbios se assentem sobre ela e sua resistência torna-a adequada para ser usada em operações cirúrgicas.

Gómez esclareceu que, embora os testes sejam preliminares, considera viável fazer cultivos de teia de aranha em laboratório para ser usada com propósitos terapêuticos.

O trabalho de campo que sustenta os estudos das universitárias terminou em julho e incluiu a coleta e seleção de amostras de teia e sua homogeneização.

Além disso, fizeram testes microbiológicos e fisico-químicos com carboidratos, proteínas e lipídios sobre as teias, que comprovaram sua tensão e solubilidade.

A pesquisa foi feita nas cidades de Mahuixtlán, onde estes aracnídeos são abundantes em quantidade e variedade.

"Da espécie 'Nephila maculata' há, em média, três aranhas por metro quadrado" em algumas áreas, explicaram as cientistas.

"A teia é um candidato ideal para elaborar fio de sutura, já que tem propriedades antimicrobianas, elasticidade e resistência e não se dissolve com o álcool", assegurou Gómez.

A dupla considera que, em aplicações terapêuticas, nem sempre são melhores as soluções sintéticas do que as naturais, como demonstra este caso.

"Quantas vezes complicamos a vida ao buscar soluções 'sintéticas' para nossos problemas, quando a natureza nos oferece a maioria dos remédios de que precisamos".

Colaboram com o estudo várias faculdades da Universidade de Veracruz.

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