Poeira das galáxias esconde nascimento de estrelas

12 de junho de 2009 • 14h24 • atualizado às 14h24
Este ilustração mostra uma rajada de raios gama em uma região cheia de poeira e com intensa formação estelar  Foto: Aurore Simonnet/Sonoma State University, NASA/Reprodução
Este ilustração mostra uma rajada de raios gama em uma região cheia de poeira e com intensa formação estelar
10 de junho de 2009
Foto: Aurore Simonnet/Sonoma State University, NASA/Reprodução

Algumas das mais poderosas explosões no universo são invisíveis, mas os astrônomos são incansáveis. Por monitoramento de raios-X e raios gama, eles são capazes de ver o que está acontecendo no espaço. Esta semana, um grupo de cientistas afirmou que um certo tipo de explosão de raios gama, a mais enérgica das explosões no Universo, pode acender áreas de galáxias revelando intensa formação e morte de estrelas.

Um levantamento das chamadas rajadas escuras de raios gama, que mostram apenas uma centelha de luz visível, considerou que elas podem lançar luz sobre os cantos empoeirados de galáxias onde as estrelas estão nascendo.

"Nosso estudo fornece evidências convincentes de que uma grande fração de estrelas em formação no universo está escondida por poeira de galáxias", disse o membro da equipe de astrônomos da Universidade da Califórnia, em Berkeley, Joshua Bell em entrevista para o site Livescience.

As conclusões foram anunciadas na última quarta-feira na 214ª reunião da American Astronomical Society.

A formação estelar ocorre quando uma estrela mais massiva envelhece e explode criando densas nuvens de poeira e lançando elementos recém-criados para o meio interestelar. Este processo inicia a formação da segunda geração de estrelas.

Mas medir quanta poeira foi criada neste processo nas galáxias mais distantes é a tarefa mais difícil. Segundo os cientistas, as rajadas de raios gama poderiam ajudar nessa contagem.

As rajadas de raios gama são geradas a partir da explosão de estrelas massivas, criando feixes de luz tão brilhantes que podem ser vistos a uma distância de 13 bilhões de anos-luz, perto dos limites do universo observável.

Porém, algumas rajadas de raios gama têm um brilho abaixo do espectro visível, parecendo que lhes falta esta característica, o que deixou os pesquisadores perplexos durante os últimos 10 anos.

Alguns especularam que estas rajadas "escuras" de raios gama foram simplesmente tão longe que os seus rastros visíveis teriam se deslocado para fora do alcance óptico através de um processo chamado Redshift: enquanto se afastam, a luz dos objetos desloca-se para a extremidade vermelha do espectro conforme o comprimento de onda é esticado. A mudança, conhecida como o fenômeno Doppler, é experimentada na Terra, quando as ondas sonoras de uma ambulância mudam de tom quando a ambulância se desloca em direção a uma pessoa e, em seguida, para longe dela.

Mas o novo estudo descobriu que cada um desses feixes teve a sua galáxia receptora perfeitamente visível aos telescópios ópticos. Se o chamado processo Redshifts estava fazendo com que as rajadas parecessem escuras, os telescópios ópticos também não seriam capazes de ver quais as galáxias que os receberam.

O estudo mostrou também que as rajadas escuras de raios gama têm brilho como quaisquer outras, mas que as manchas de poeira nas galáxias obscurecem os feixes.

"Nós acreditamos ter resolvido a maior parte do mistério sobre o que as torna realmente escuras", disse o pesquisador chefe do estudo, Daniel Perley.

Os resultados sugerem que as rajadas de raios gama podem ser capazes de ajudar a monitorar a taxa na qual as estrelas formam-se e morrem em distantes galáxias, e confirmar as estimativas anteriores de que "25% das vezes em que estrelas massivas se formam é em locais repletos de poeira de estrelas", disse Perley. "A poeira se forma provavelmente nas nuvens ao redor de estrelas em formação", acrescentou.

O estudo indica que pode haver muito mais poeira do que se suspeitava e que os "raios gama escuros poderiam fornecer uma maneira de descobrir a quantidade de formações estelares que estão acontecendo no universo", disse Perley.

Redação Terra
 
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