Estudo: refrigerantes podem causar taquicardia e paralisia

19 de maio de 2009 • 11h56 • atualizado às 15h17

O consumo excessivo de refrigerantes pode causar taquicardias, fraqueza nos ossos e paralisia muscular, entre outros problemas de saúde, segundo afirma um estudo publicado nesta terça-feira no International Journal of Clinical Practice.

Os autores do estudo, dirigido por Moses Elisaf, da universidade grega de Ioannina, afirmam que o número de pessoas que adoecem por um consumo excessivo desse tipo de bebida tem aumentando, o que se deve em parte ao empenho das empresas em comercializar garrafas cada vez maiores. Na pesquisa, os especialistas encontraram casos de cáries, diabetes e enfraquecimento da estrutura óssea, além de hipocalemia, uma queda extrema dos níveis de potássio.

Segundo os pesquisadores, a queda do potássio aumenta o risco de problemas musculares graves e disfunções cardíacas, doenças que podem chegar a ser mortais. "Estamos consumindo mais refrigerantes que nunca e foram identificados vários problemas de saúde, incluindo dentais, enfraquecimentos dos ossos, diabetes e o desenvolvimento da síndrome metabólica", afirmou o diretor do estudo, Moses Elisaf.

Em relatório, Elisaf examinou casos de pessoas que bebiam dois ou mais litros de refrigerante ao dia. Um dos casos documentados é o de uma grávida de 21 anos que estava há seis consumindo três litros ao dia. A mulher teve diagnosticada hipocalemia severa após ser hospitalizada com cansaço, falta de apetite e vômitos.

A paciente só se recuperou quando parou de beber refrigerantes e recebeu suplementos de potássio. Outras pessoas que bebiam de dois a 9 l diários do refrigerante apresentaram diferentes problemas musculares, "desde um leve enfraquecimento a uma paralisia profunda". Os cientistas discutem várias teorias para explicar tal efeito: o conteúdo de açúcar do refrigerante poderia fazer com que os rins segregassem potássio demais, ou a cafeína poderia ser responsável por induzir uma redistribuição do potássio nas células do corpo.

Os ingredientes mais comuns nessas bebidas são frutose, glicose e cafeína e, segundo Elisaf, embora cada um deles tenha sua parcela de culpa na indução da hipocalemia, a cafeína parece ter um efeito dominante. No entanto, o especialista aponta que os refrigerantes sem cafeína também podem gerar uma queda do potássio devido à frutose, que pode provocar diarréia.

"Em uma era onde a indústria alimentícia tenta impor um aumento das porções desses produtos, esses achados podem ter implicações importantes para a saúde pública", explicam os autores do estudo.

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