Morre Elisabeth Ross, psiquiatra que mudou percepção da morte

26 de agosto de 2004 • 13h58 • atualizado às 13h58

Elisabeth Kübler Ross, a psiquiatra pioneira no tratamento dos desenganados e na preparação para a morte, morreu em sua casa no Arizona aos 78 anos de idade, informou sua família.

"Vou dançar em todas as galáxias", tinha dito Kübler Ross, depois que uma série de derrames cerebrais a debilitou e a fez perceber que restava pouco tempo de vida. A psiquiatra morreu na terça-feira em Scottsdale, Arizona.

O maior trabalho científico e prático de Kübler Ross representou há quatro décadas uma inovação para a medicina ocidental e uma quebra do tabu sobre a morte: o uso de técnicas para que o fim da vida seja mais ameno para os doentes, os médicos que os atendem e os familiares que os cercam.

A publicação em 1969 de seu livro mais bem-sucedido "On Death and Dying" (Sobre a morte e o processo de morrer) marcou o rumo de seu trabalho, que depois foi enriquecido com contribuições de vários especialistas a uma área específica da profissão médica, a tanatologia.

Nesse livro, Kübler Ross, nascida em 1926 em Zurique (Suíça), identificou períodos definidos no processo da morte, e métodos para que médicos, enfermeiros e familiares acompanhem e ajudem a pessoa em seus últimos dias.

O primeiro dos períodos identificados por Kübler Ross no processo de morte é a negação, quando o paciente se recusa a aceitar que tem uma condição fatal. Depois se seguem a raiva, a negociação, a depressão e a aceitação de que a morte é inevitável.

Os períodos, advertiu Kübler Ross, não se sucedem de forma ordenada e excludente, mas podem misturar-se, em particular durante o da negociação, quando o paciente pensa que caso se submeta a um determinado tratamento, ou se fizer dieta ou exercício, talvez possa reverter sua condição.

O reconhecimento de que a negociação não é possível com a morte, freqüentemente leva à quarta fase, que é a depressão. A etapa final é a aceitação, quando a pessoa reconhece sua mortalidade e a proximidade do fim.

A Kübler Ross é atribuído o impulso inicial para a criação do sistema de asilos específicos para doentes nos Estados Unidos, que são estabelecimentos para internar e cuidar de pessoas desenganadas. Percy Wooten, presidente da Associação Médica dos Estados Unidos, disse hoje, quinta-feira, que "Kübler Ross foi uma verdadeira pioneira que despertou a consciência da comunidade médica e do público em geral sobre a importância dos assuntos que cercam a morte, o processo de morrer e a luta".

Na última parte de sua carreira, Kübler Ross dedicou sua pesquisa à verificação da suposta "vida após a morte", e fez com sua equipe milhares de entrevistas com pessoas que relataram experiências próximas da morte.

Mas este novo interesse da especialista foi recebido com ceticismo pela maioria dos cientistas e médicos e, de certo modo, prejudicou sua reputação.

Kübler Ross afirmou que tinha obtido provas de uma "vida após a morte", mas outros pesquisadores consideraram que ela tinha abandonado o rigor do método científico e sucumbido a seu próprio medo da morte.

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