Pesca pode extinguir o atum azul em três anos, diz WWF

14 de abril de 2009 • 10h01 • atualizado às 11h04

A pesca desenfreada pode eliminar dentro de três anos a população de atum azul em idade de procriação no Atlântico, disse nesta terça-feira a entidade ambientalista WWF. A ONG afirmou que só uma dramática redução da pesca poderá salvar esse peixe, um dos maiores e mais rápidos predadores do oceano.

Na véspera do início da temporada de pesca no Mediterrâneo, que dura dois meses, a WWF disse que, no atual ritmo, suas análises demonstraram que os atuns azuis com 4 anos de idade ou mais, a idade da desova, irão desaparecer até 2012.

"Há anos as pessoas se perguntam quando irá ocorrer o colapso dessa atividade pesqueira, e agora temos a resposta", disse Sergi Tudela, diretor de Atividades Pesqueiras da WWF Mediterrâneo. O peixe, que pode alcançar mais de meia tonelada e é mais rápido do que um carro esporte, é muito usado em sushis.

A demanda japonesa provocou uma explosão no tamanho da frota pesqueira do Mediterrâneo na última década, e muitos desses barcos usam ilegalmente aviões para localizar cardumes.

"O atum azul do Mediterrâneo está acabando enquanto falamos, e mesmo assim a pesca vai começar novamente amanhã, de forma normal. É absurdo e indesculpável abrir uma temporada de pesca quando os estoques da espécie-alvo estão acabando", acrescentou Tudela.

Grupos ambientalistas condenaram um acordo assinado em novembro por vários governos, especialmente europeus, para estabelecer quotas de pesca do atual azul. O grupo considera as quotas "um desastre" e "uma desgraça", e diz que os países novamente preferiram ignorar seus próprios cientistas, já que as quotas são 47% superiores ao que foi recomendado.

O atum azul - cuja carne vermelha chegou a alimentar os exércitos romanos, na forma de peixe seco - também é alvo da pesca ilegal. Cada vez mais restaurantes e supermercados têm boicotado a venda do atum azul.

De acordo com o WWF, dados oficiais mostram que o tamanho médio dos atuns adultos caiu a menos da metade desde a década de 1990, e que isso teve um impacto ainda maior sobre a espécie, pois peixes maiores produzem mais crias. A WWF e outras ONGs dizem que o atum azul só será salvo se a pesca parar completamente nos meses de maio e junho, quando o peixe atravessa o estreito de Gibraltar e se espalha pelo Mediterrâneo.

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