Muitas crianças em países pobres e de renda mediana recebem suas vacinas várias semanas após o recomendado pelos médicos. Assim, enfrentam riscos maiores de doenças e morte, segundo um novo estudo realizado por pesquisadores da London School of Hygiene and Tropical Medicine, publicado na revista médica The Lancet.
Os cientistas avaliaram pesquisas sobre saúde de 45 países - a maioria deles da África e da América Latina - e concluíram que Egito, Quirguistão, Peru e Ruanda vão particularmente bem, e que o Chade, a Nigéria e o Iêmen estão entre os mais atrasados. Os pesquisadores usaram dados coletados de 217.707 crianças, adquiridos entre 1996 e 2005.
O tempo mediano de atraso na administração das vacinas foi de 2,3 semanas para tuberculose; 2,4 semanas para difteria, tétano e coqueluche; e 2,7 semanas para a vacina contra sarampo.
No entanto, nos 12 países com maior atraso, pelo menos um quarto de todas as crianças recebe vacinas de dois a cinco meses depois do recomendado pela Organização Mundial de Saúde (OMS). Nos primeiros nove meses de vida, a OMS recomenda vacinas para tuberculose, difteria, tétano, pólio, coqueluche e sarampo.
Além do risco de que uma criança morra pela demora, existem algumas outras ameaças com vacinas sendo introduzidas pela primeira vez, afirmaram pesquisadores. A vacina contra hepatite B, por exemplo, pode proteger contra uma infecção adquirida da mãe somente se recebida nos primeiros sete dias após o nascimento. Uma nova vacina contra rotavírus também tem uma data-limite recomendada.
O atraso na vacinação pode ainda ter implicações importantes para o efeito de novas vacinas e avanços conquistados para erradicar uma doença.
Globalmente, os índices de vacinação aumentaram significativamente nos últimos 20 anos. A mortalidade infantil caiu para menos de 10 milhões por ano pela primeira vez, devido, em grande parte, à vacina contra o sarampo, segundo o Fundo das Nações Unidas para a Infância.
JB Online