Caverna ligada a João Batista é encontrada em Israel

16 de agosto de 2004 • 14h12 • atualizado às 14h12

No que pode ser uma das maiores descobertas cristãs da história, um arqueólogo britânico encontrou evidências ligando São João Batista a uma caverna utilizada para banhos rituais perto de Jerusalém. Shimon Gibson, que há quase três décadas faz escavações na Terra Santa, diz acreditar que a caverna, 24 metros talhados no interior de um morro rochoso, também pode ter sido visitada por Jesus, seu primo, além do apóstolo evangelista João.

A caverna foi descoberta por Gibson em 1999. Desde então, as escavações revelaram uma grande piscina para banhos e objetos usados para rituais de unção, bem diferentes daqueles que a maioria dos judeus usaria 2 mil anos atrás. Gibson, de 45 anos, disse que as evidências de ligação entre João Batista e a caverna foram obtidas de desenhos feitos de 400 a 500 anos mais tarde, que o retratam de maneira semelhante à arte bizantina. Uma das figuras também mostra a cabeça de João separada do corpo.

"Nunca se encontrou algo assim em outros lugares", disse Gibson. "É a primeira vez que temos descobertas do período batismal antigo... É uma descoberta incrível, que acontece para um arqueólogo só uma vez na vida".

A descoberta, a 15 minutos de carro de Jerusalém, deve ser anunciada oficialmente amanhã, antes do lançamento de um livro de Gibson. Qualquer descoberta ligada à Bíblia provoca polêmica e ceticismo, mas Gibson disse ter realizado vários testes para se convencer.

A Bíblia diz que João Batista realizava batismos ¿ incluindo o de Jesus ¿ no rio Jordão, 40 quilômetros a leste dali. Mas Gibson afirmou que o local em Tzova pode estar relacionado aos primeiros anos de atividade, "quando João buscava a solidão 'no deserto'". "Além de João Batista, há a possibilidade de Jesus também ter usado essa caverna", disse Gibson.

O local fica perto de um pomar de nectarinas dentro de um kibutz, a 5 quilômetros da vila de Ein Kerem, tradicionalmente tida como o local de nascimento de João Batista e sede de várias igrejas em homenagem a ele. Degraus levam diretamente da porta da caverna à piscina. A caverna tem 4 metros de altura por 4 metros de largura. Gibson acredita que ela ficou tão bem conservada porque passou despercebida pelos cruzados que lá chegaram, no fim do século 11, para retomar a Terra Santa dos muçulmanos. Os outros locais bíblicos que já eram conhecidos então acabaram recebendo construções, o que dificulta os trabalhos arqueológicos modernos, afirmou o pesquisador.

Ele disse ter certeza de que a caverna não foi usada para outras finalidades - como reservatório de água ou esconderijo, por exemplo - ou por outros grupos com rituais semelhantes na mesma época. "Não acredito nesse tipo de coincidência", disse Gibson, que afirmou não ser religioso. "Os peregrinos vão correr para a caverna".

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