Nova técnica pode gerar célula-tronco sem destruir embrião

02 de março de 2009 • 09h12 • atualizado às 12h55
Técnica é aplicada com a reprogramação de células, que implicaria numa nova fonte celular sem risco de rejeição Foto: Getty Images
Técnica é aplicada com a reprogramação de células, que implicaria numa nova fonte celular sem risco de rejeição
02 de março de 2009
Foto: Getty Images

A perspectiva de criação de ilimitadas células-tronco para tratar de doenças como o Mal de Parkinson, paralisias e diabetes sem a necessidade de destruir embriões humanos parece estar cada vez mais próxima. Pesquisadores da Inglaterra e do Canadá têm trabalhado no desenvolvimento de uma nova e mais segura forma de regredir os ponteiros no relógio celular a ponto de transformar células mais velhas em exemplares embrionários. As informações são do jornal britânico Times.

A regressão na idade celular, para fazer com que células adultas adquiram as propriedades versáteis das células embrionárias, também pode ser a solução dos problemas éticos acerca de questão, um dos principais entraves da clonagem e reprodução de células-tronco.

A nova técnica seria aplicada com a reprogramação de células da pele, cujo resultado implicaria numa nova fonte celular sem risco de rejeição. O método de reprogramação da pele humana em células de um embrião foi desenvolvido inicialmente em 2007 por equipes de pesquisadores japoneses e americanos.

Chamadas de células pluripotentes induzidas (IPS), que têm todas as propriedades de uma célula nova, foram classificadas como a descoberta do ano pela revista Science. O procedimento é feito com a modificação dos quatro principais genes celulares feita pela ação de vírus manipulados laboratorialmente. No entanto, equipes lideradas por Keisuke Kaji, da Universidade de Edimburgo, e Andras Nagy, da Universidade de Toronto, já colaboraram para desenvolver uma nova abordagem para a criação de células IPS que não envolvem vírus.

Segundo o cientista Kaji, que liderou a pesquisa ¿se trata de um passo para a prática da utilização de células reprogramadas na medicina, talvez até mesmo eliminando a necessidade de embriões humanos como fonte de células estaminais ou embrionárias. Este novo método irá avançar no campo da medicina regenerativa, e deve ajudar a compreender as doenças e testar novos medicamentos", disse ele.

Outros estudiosos da área disseram que embora o trabalho seja promissor, ainda há dúvidas sobre a reprogramação técnica, e que a continuação do estudo de células estaminais embrionárias ainda é necessário. Robin Lovell-Badge, do Instituto Nacional de Pesquisa Médica de Londres, descreveu a pesquisa como um "excitante passo na direção certa", mas acrescentou que "não devemos esquecer que o caminho ainda é muito longo e sinuoso e cheio de armadilhas" pela frente, até que se tenha um desfecho seguro sobre a reprogramação celular.

"Para o momento, penso que é bastante prematuro sugerir que este trabalho irá eliminar a necessidade de extrair células estaminais embrionárias humanas a partir de embriões. Ainda temos muito a aprender a partir de células estaminais embrionárias humanas e sobre a sua verdadeira identidade e suas propriedades, e esse conhecimento é necessário a fim de saber se as células IPS são verdadeiramente humanas ou não.¿

O novo procedimento, que é descrito em dois artigos publicados na revista Nature, uma oportunidade surgiu após reunião entre os cientistas envolvidos no estudo. Eles têm agora combinadas as suas técnicas para desenvolver um método que pode modificar todos os quatro genes de uma só vez para reprogramar células adultas.

"Ninguém, incluindo eu, pensava que era realmente possível esta reprogramação. Utilizando nosso método, será possível eliminar não só os genes inseridos, mas todos os traços da nossa modificação genética do ser humano a partir de células IPS, embora nós ainda necessidade de melhorar isso até tornar o processo eficiente", declarou Keisuke Kaji, da Universidade de Edimburgo.

"Esperamos que estas células formem a base para o tratamento de muitas doenças e condições que são atualmente consideradas incuráveis. Temos encontrado uma maneira altamente eficiente e segura para criar novas células para o corpo humano, o que evita o desafio de rejeição imunológica", complementa Andras Nagy, da Universidade de Toronto.

Redação Terra
 
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